quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Diário da Noite, 12 de Junho de 1950

SAMBA E MAMBO

O mambo, atualmente o ritmo em grande voga entre nós, originário da América Central, apreciadíssimo no México e Cuba, não tem o compasso do samba, nem da rumba, e tão pouco do bolero ou baião. Entretanto, o seu ritmo se assemelha muito com o daqueles. Talvez venha a ser uma mistura composta de todos eles não importa. O que é certo é que se trata de um ritmo quente, dançante e que deliciosamente por isso mesmo, está tomando de assalto o gosto do público.

O mambo é, agora, introduzido entre nós por Emilinha Borba, através desse curioso Bico Doce, gravado pela Continental, e que leva a prestigiosa assinatura de Haroldo Barbosa. Trata-se, com efeito, do primeiro mambo nacional. Os que se conhece são estrangeiros e os responsáveis pela nova “coqueluche”.

Muito interessante, com efeito, esse mambo de Haroldo Barbosa. Talvez se possa fazer alguma restrição à sua letra, que prima pela irreverência, chegando às vezes às raias do dramático. O ritmo, porém, supera a letra, satisfazendo em cheio, os apreciadores do mambo.

Rádio São Paulo - Emilinha em 1949
O samba Vizinho do 57, que faz parte da face oposta do disco, além de dotado de altas doses de “bossa”, possui fundo romântico muito agradável. Bonitinha e bem feita a letra.

Emilinha Borba é magnificamente secundada pela Orquestra Tabajara, de Severino Araújo, que, diga-se de passagem, de gravação para gravação, se supera a si próprio. O conjunto paraibano, sem dúvida nenhuma, é um dos melhores do país e não seria temerário se afirmássemos da América Latina. Admirável a sua seção de instrumentos de percussão. Sabem os seus componentes, com propriedades, soprar vigorosamente para fora nos momentos precisos e conservar-se em segunda plana quando é o caso. Severino Araújo, assim, pode vangloriar-se de haver conseguido formar uma orquestra altamente homogênea que, através das suas orquestrações, contribui sensivelmente para a valorização da nossa música popular.

Neyde Fraga
Na foto: Neyde Fraga é, realmente, como já disse alguém, “a garota que canta gostoso”. Apesar de ser um autêntico e firmado cartaz do rádio paulista, foi olvidada pelas gravadoras, A Elite, agora, a tem sob contrato e Neyde vem de gravar vários números para a etiqueta da rua Major Quedinho: Triste Adeus, toada de Rômulo Pais; Eh! Boi, baião de Hervé Cordovil; Meu Romance, samba de Sereno; Quando Alguém Vai Embora, samba-canção de Cyro Monteiro e Dias Cruz. Dignas de nota as orquestrações e a perfeição das gravações, que serão objeto das apreciações das nossas próximas notas.

2 comentários:

  1. Fantástico esse blog. Obrigada pela iniciativa, parabéns pelo trabalho. Estarei acompanhando e ajudo, sempre que possível, a divulgá-lo. Abraço.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado, Fernanda! Divulgue mesmo! Abração.

      Excluir