domingo, 29 de dezembro de 2013

Diário da Noite, 12 de agosto de 1950

LANÇAMENTOS ANTECIPADOS

A Odeon colocou nas revendedoras, durante esta semana, dois discos cujos lançamentos estavam programados para meados do próximo mês. Aliás, a eles já fizemos referências, em notas anteriores. Trata-se das gravações do bolero Hipócrita e da canção francesa Clopin-Clopant, na voz de Gregorio Barrios; e do Baião, de Luiz Gonzaga, e do Moto Perpétuo, de sua autoria, na interpretação de Heriberto Muraro, em solo de piano, secundado de grande orquestra.

Com alusão ao disco de Gregorio Barrios temos a dizer que o festejado vocalista espanhol, que muitos julgam argentino ou, mesmo, mexicano, está convincente, embora a sua interpretação do bolero de Carlos Crespo não seja das melhores. Gregorio dá muita vazão à sua exuberante voz, dando-nos a impressão de que pretende, tal qual Gino Bechi, fazer exibicionismo. E isso compromete as interpretações.

A adaptação da composição de Bruno Coquatrix, feita pelo argentino Ben Molar, está excelente. Entretanto, pareceu-nos que não é a música ideal para a voz de Gregorio, que exige composições movimentadas.

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Ambas as gravações foram executadas nos estúdios da Odeon, no Rio de Janeiro. Secunda o famoso bolerista o conjunto de Oswaldo Borba, aliás o responsável pelos arranjos, muito bem feitos, por sinal.

Com referência às gravações de Muraro, é sempre com satisfação que as examinamos. Em várias oportunidades analisamos os discos desse festejado pianista, compositor e regente argentino, há tempos radicado no Brasil. Ultimamente, como os apreciadores do disco devem ter observado, Muraro tem se dedicado ao estudo de grandes arranjos para piano e orquestra, de músicas populares, culminando, agora, com o Baião de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Através dessa gravação pode-se ter uma idéia da evolução artística de Muraro, cada vez mais aprimorando a sua técnica. Dos seus dedos brotam notas com uma abundância de espantar e sempre de efeitos imprevistos e agradáveis. Gostamos muito do seu Baião semi-sinfônico. Já em Moto Perpétuo parece que Muraro sofreu acentuada influência do Tico-Tico no Fubá de Zequinha de Abreu, dando-nos flagrante impressão de um escandaloso plágio. Isso com referência à composição. Quanto à execução, é o Muraro de sempre.

O conjunto de Oswaldo Borba, enxertado de vários elementos, foi o responsável pelo acompanhamento da “grande orquestra”, a que faz referência a etiqueta. Como sempre, Osvaldo Borba brilhou, especialmente na face do Baião, onde há passagens da orquestra muito bonitas.


Na foto: Muraro teve o seu disco, no qual se achava gravado o Baião de Luiz Gonzaga, e o Moto Perpétuo, de sua própria autoria, lançado antecipadamente, pois estava programado para o suplemento de setembro próximo. Trata-se de duas gravações bastante interessantes, especialmente pela face do Baião, onde vamos encontrar um bonito arranjo para piano e orquestra e melhor execução do festejado pianista argentino.

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