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domingo, 8 de dezembro de 2013

Diário da Noite, 11 de agosto de 1950

SUCESSO DE VILLA-LOBOS

Em crônicas anteriores tivemos ocasião de nos referir ao sucesso que vêm alcançando as músicas de Villa-Lobos, quer nos Estados Unidos quer na Europa, onde muitas delas têm sido levadas à cera pelas mais renomadas orquestras e pelos mais categorizados artistas.

A opinião do crítico de discos de The New York Times, sobre a gravação dos trechos da Bachiana nº2, pela Janssen Symphony Orchestra, dirigida por Wernes Janssen, para a Capitol, foi igualmente aqui transcrita.

Agora, segundo notícias que nos chegam dos Estados Unidos, Bachiana nº5, em gravação de Bidú Sayão, está batendo todos os recordes de venda em discos avulsos de música clássica. Aliás, em recente concurso levado a efeito pela revista The Saturday Review of Literature entre os vinte críticos de discos mais categorizados, esse disco de Bidú Sayão, para a Columbia, obteve a quarta colocação, entre “os melhores discos gravados nestes vinte e cinco anos de gravação elétrica”.

Bidú Sayão e Villa-Lobos em 1958
O resultado do inédito pleito foi o seguinte: 1º - Don Giovani, de Mozart, gravado durante o festival musical de Glyndebourne, Inglaterra, há uns quinze anos – 5 votos; 2º - A Flauta Mágica, de Mozart, sob a direção de Thomaz Beecham – 4 votos; 3º - As Bodas de Figaro, de Mozart, também gravado durante o festival musical de Glyndebourne – 4 votos; 4º - Bachiana nº5, de Villa-Lobos, cantada por Bidú Sayão – 4 votos; 5º - Variações de Goldberg, de Bach, por Wanda Landowska – 4 votos.

Wanda Landowska
Observe-se que para evitar um desnecessário acúmulo de trabalho na contagem de votos, a referida publicação limitou as votações a cinco álbuns e a cinco discos avulsos.

Dado o sucesso alcançado nos Estados Unidos e nos outros países do mundo, anuncia-se que a Capitol americana está disposta a levar à cera outras partituras de Villa-Lobos, especialmente a série completa das famosas Bachianas do querido mestre brasileiro.

Villa-Lobos, como se vê, aos poucos, vai impondo o seu prestígio musical ao público dos mais cultos países do mundo.

Heitor Villa-Lobos
Na foto: Heitor Villa-Lobos, que há pouco teve o seu primeiro Concerto para piano e orquestra gravado na Suíça, vai, aos poucos, conquistando a admiração e o respeito das mais cultas platéias do mundo. À vista do sucesso que vem alcançando a gravação da sua Bachianas nº5, magnificamente gravada por Bidú Sayão, a Capitol americana pretende levar à cera a série completa dessas curiosas peças do prestigioso autor nacional.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Diário da Noite, 25 de Abril de 1950

PÁGINA DE BEETHOVEN

Gioconda de Vito é considerada, na Itália, a sua maior violinista. Nasceu ao sul da península e estudou com o conhecido virtuose italiano Remy Principe. Conquistou, em 1932, o primeiro prêmio do Concurso Internacional de Viena, sendo, em seguida, nomeada professora de violino da Academia de Santa Cecília, em Roma.

Temos em mãos dois discos dessa festejada virtuose. Um é da “His Master’s Voice”, fabricação inglesa, de nºDB-6727; o outro é de fabricação nacional, da RCA Victor, selo vermelho, nºB-5007. Em ambos está gravado o Romance nº2, em fá maior, opus 50, de Beethoven. As duas gravações, a inglesa e a nacional, foram prensadas obedecendo a mesma matriz, não se tratando, portanto, de duas gravações distintas.

Da interpretação de Gioconda de Vito, nesta belíssima página de Beethoven, só se poderá dizer que é magnífica, bastante sincera e expressiva, destacando-se, de forma frisante, o seu instrumento sobre o acompanhamento orquestral, que é executado pela Filarmônica de Londres, sob a direção do maestro Alberto Erede.

A gravação da “His Master’s Voice” é muito boa. A da Victor nacional, entretanto, em nada lhe fica a dever. Possivelmente a gravação inglesa leva uma ligeira vantagem no que diz respeito à massa empregada, que evidentemente é superior e elimina quase que totalmente o chiado, o que se observa ainda no disco nacional, embora não de forma acentuada.

Em se tratando de gravações que foram fabricadas sob o molde da mesma matriz, uma ou outra que o discófilo adquirir, estamos certos, ficará satisfeito, especialmente os que têm predileção pelos solos de violino.

OUTRO ROMANCE

Das mais apreciáveis essa gravação que a Victor nacional nos apresenta pelo famoso virtuose do violino que é Yehudi Menuhin. Encerra ela o Romance (sobre um tema de Paganini) e Minueto em ré, de Mozart, na interpretação do grande violinista.

Gioconda de Vito e Yehudi Menuhin
Trata-se de um disco que não temos o menor receio de recomendar, especialmente aos espíritos românticos. Romance é de uma melodia dulcíssima, suave e confortante, que se gravará indelevelmente em nossos espíritos.

Não é sem razão que esse disco, apesar de clássico, esteja atingindo alto índice de venda. Em muitas revendedoras já se encontra esgotado.