Mostrando postagens com marcador Hugo Romani. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Hugo Romani. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Diário da Noite, 06 de Maio de 1950

BOLERISTA DE FUTURO

Faz poucos dias, no estúdio de audições da Odeon, ficamos conhecendo Bob Toledo. Estava acompanhado de Hugo Romani, outro bolerista do famoso selo. Ambos haviam terminado compromissos assumidos com uma emissora e boate da cidade. Conversamos muito com Bob Toledo e verificamos da modéstia do jovem cantor argentino. Até no trajar-se o moço não é exagerado, o que não se dá com a grande maioria dos grandes cartazes internacionais. Quem o vê à primeira vista dificilmente se convencerá estar á frente do bolerista Bob Toledo, uma das maiores figuras do disco, apesar da sua carreira haver simplesmente começado.

Pois é precisamente de um disco de Bob Toledo que vamos nos ocupar hoje. Me lo Contaron Ayer e No me Interesso são os dois magníficos boleros que ele nos apresenta. E nos surpreendeu agradavelmente. Como ultimamente, dado o gosto do público por esse ritmo gostosamente dançante, têm aparecido muitos boleros abaixo da crítica, receávamos que Bob fosse portador de mais dois abacaxis. Felizmente nos enganamos. Me lo Contaron Ayer e No me Interessa são dois boleros dos bons. E na voz de Bob, então, que se fez acompanhar por excelente organista, ganharam muito em melodiosidade.

Na época desse artigo Bob estava com 21
anos. Despontava para o sucesso. Soube,
 recentemente, com tristeza, que Bob se
suicidou em 1974
Cumpre observar a impressionante naturalidade com que o vocalista portenho interpreta ambas as partituras, de melodias e letras extremamente românticas, próprias, por sinal, do gosto do público e do próprio cantor, que nos afirmara preferir impregnadas de romantismo para incluir em seu vasto repertório. O disco, portanto, é recomendável não apenas para os dançarinos ou para aqueles que simplesmente gostam de boleros. Os namorados, os espíritos românticos, encontrarão neles dois boleros dignos de figurar na pequena estante de discos para recordação dos momentos agradáveis que a vida nos proporciona raramente.

Na foto: Bob Toledo, outro cantor argentino que aderiu ao bolero, o ritmo do momento. Me lo Contaron Ayer e No me Interessa, constantes do disco que comentamos hoje, são dois bonitos boleros que, dentro em pouco, toda a cidade estará cantando. Esse disco foi lançado este mês. Deve ser ouvido.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Diário da Noite, 22 de Abril de 1950

VALSAS BRASILEIRAS

A Victor, durante largos anos, manteve uma orquestra típica brasileira. Esse conjunto, dos mais homogêneos que já se possuiu, levava à cera as nossas mais belas melodias populares, especialmente as que possuíam a assinatura de compositores como Zequinha de Abreu, Ernesto Nazareth, José Maria de Abreu e alguns outros. Mas a Victor achou que o sustento do conjunto era carga por demais pesada e acabou dissolvendo-o. Os discos que gravou esse conjunto, há alguns anos, ainda hoje são procurados com avidez e de forma tal que a gravadora está estudando a regravação desses sucessos.

Mas não é da saudosa orquestra Victor que desejamos falar, mas da orquestra Continental, recentemente formada pela gravadora dos três sininhos. Escolheu ela, para estrear, duas bonitas valsas brasileiras: Boa Noite, Amor e Alma dos Violinos, duas das mais inspiradas composições de José Maria de Abreu e de Lamartine Babo. Há momentos em que o conjunto lembra a orquestra Victor. Entretanto, sente-se que lhe falta alguma coisa. Algo que não pudemos descobrir, por mais análises a que submetemos o disco. Não lhe falta afinação. Nesse particular, até, ela está muito bem. Mas, parece-nos, falta-lhe a homogeneidade, o que lhe impossibilita a sonoridade desejada, que é frisante nos conjuntos maduros. Todavia, é um detalhe que o diretor artístico da gravadora deve ter observado e, para o futuro, o conjunto se apresentará, estamos certos, com esse senão superado, entretanto, o ouvinte menos exigente e amante da nossa boa música popular, há de gostar das duas gravações apresentadas por esse disco.

Hugo Romani
Os que gostam de dançar também apreciarão o disco, especialmente da face de Boa Noite, Amor, cuja melodia, como todos sabem, está impregnada de inspirado romantismo.

O disco, como se vê, é de interesse restrito. Esperamos que nas próximas gravações da orquestra Continental, aquela falha, que sentimos mas não pudemos definir bem, mas que o diretor artístico a encontrará com certeza, já não seja observada para que o conjunto se firme definitivamente no conceito do público.

Na foto: Hugo Romani é um autêntico cartaz do disco popular. Especializou-se na interpretação de melodias centro e sul-americanas. Esteve em São Paulo recentemente atuando numa das nossas boates, obtendo grande sucesso. Suas melhores gravações: Caminemos, Mi Carta, Amorosamente. Faz parte da constelação Odeon.