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sábado, 31 de maio de 2014

Diário da Noite, 28 de setembro de 1950

LANÇAMENTOS PROGRAMADOS

A Capitol lançará, brevemente, os seus discos selo preto, em gravações nacionais. Segundo a lista que recebemos estão programadas gravações de Dick Farney, Heleninha Costa, Lyrio Panicalli, que pertenceu ao cast da Continental; Carolina Cardoso de Menezes e Os Cariocas, que eram artistas da Odeon; e Oscarito, que era elemento da Star, que obteve ruidoso sucesso com a sua gravação de A Marcha do Gago, no último Carnaval.

Com Dick Farney a aludida gravadora nos oferece os sambas-canção Não Tem Solução e Lembrança do Passado, em selo preto; e em selo azul, Fale Baixo (Speak Low) cantado em inglês, e Você Volta Como Uma Canção, um bolero e uma canção, respectivamente. Secunda o aplaudido vocalista, em todas as gravações, a apreciada orquestra de Lyrio Panicalli.

Na voz interessante de Heleninha Costa está programado um disco no qual ela gravou: Única Saída, samba-canção, e Junto de Ti, bolero também secundado pelo conjunto regido por Lyrio Panicalli.

Heleninha Costa

Lyrio Panicalli
Para os que apreciam solos de acordeon há um disco programado na lista em referência que deve ser interessante, porquanto foi gravado por George Brass, solista de acordeon e compositor. Os números apresentados são: Marcha do Acordeonista, no qual o solista é secundado por uma orquestra de acordeões, e Cachucha, uma rancheira, em cuja gravação toma parte um conjunto de ritmo, tendo como solista de violino Fafá Lemos.

Outro disco que promete é o da orquestra de Lyrio Panicalli, executando Canção de Aniversário e Maringá, tomando parte nas gravações um grande coro vocal, tendo por solista José Carlos Rodrigues.

Com o Trio Madrigal e o Quinteto de George Brass, acompanhando-o, Oscarito vai apresentar duas faces caricatas: Vingança do Rafaé, marcha, e Chorinho-Chorão.

Dick Farney
A notável Carolina Cardoso de Menezes, que apesar de estar presa sob contrato com a Odeon, há tempo não gravava, parecendo ter sido “congelada”, está presente à lista com dois movimentados choros: Pombo-Correio e Regressando. Ao que se diz, Carolina está um espetáculo nestas suas “faces”.

No disco de Os Cariocas em que toma parte a orquestra de Lyrio Panicalli novamente, vamos encontrar a valsa Descendo o Rio e o samba Marca na Parede.

Com alusão às gravações em selo azul, ou seja, gravações feitas sob a matriz estrangeira, faremos referência em próximas notas.

Cumpre ressaltar que deixamos de citar os nomes dos atores dos números constantes das gravações em apreço, simplesmente porque a lista da Capitol os omite. É de esperar-se, porém, que nos seus futuros suplementos a falha seja corrigida.

Os Cariocas - Jornal de Notícias, Janeiro de 1950

Na foto: Witold Malcuzynski é considerado pela crítica internacional, com justiça, como o último aluno e dileto discípulo do grande Paderewski. Pela passagem do centenário da morte de Chopin, ocorrido o ano passado, o festejado pianista polonês percorreu quase todos os países do mundo. No dia do centenário de Chopin tocou em Paris, conquistando a culta e exigente platéia francesa. Ao que se informa, dentro de alguns meses Malcuzynski visitará o Brasil, realizando alguns recitais em São Paulo e no Rio de Janeiro. Grava para a Columbia, sendo muito recomendáveis os seus álbuns contendo páginas imorredouras de seu patrício Frederico Chopin, do qual é um dos mais perfeitos intérpretes.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Diário da Noite, 14 de Junho de 1950

SOLO DE PIANO

A Continental lançará em seu próximo suplemento um disco em que é apresentado um solista de piano digno de atenção do discófilo. Ele se nos apresenta acompanhado por conjunto de ritmo, executando dois solos: Madrigal, valsa de autoria de Aurélio Cavalcanti, e Tocantins, um choro que leva a assinatura de José Rebelo da Silva.

Não interessa a fonte onde conseguimos a informação; mas vamos cometer uma indiscreção, ao revelar o verdadeiro nome desse notável pianista que a etiqueta Continental apresenta laconicamente com o pseudônimo de “Vero”. Pois esse solista, modestamente escondido sob aquele pseudônimo é, na verdade, o aplaudido maestro Radamés Gnatalli, que tão lindas orquestrações tem proporcionado a um sem número de melodias brasileiras.

Ora, tratando-se de dois solos executados por uma figura como a de Radamés Gnatalli, que além de regente dos mais capazes e orquestrador abalizadíssimo, é pianista de raros predicados, está claro que o disco, artisticamente, teria que sair perfeito. A interpretação que “Vero” empresta à valsa de Aurélio Cavalcanti é, assim, sentida, vivaz às vezes, mas sempre agradável, notando-se um “que” de modernismo, com matizes de estilo todo especial.

Radamés Gnatalli
No chorinho Tocantins, Gnatalli demonstra cabalmente a sua agilidade e a sua técnica superior, interpretando com maestria a composição de José Rebelo da Silva. Ademais, tanto a valsa quanto o choro são partituras muito bonitinhas; tratadas pela sensibilidade de Radamés, ganharam muito em melodiosidade.

Por seu turno, o conjunto de ritmo brilhou. Secundou discretamente o solista na face da valsa, sobressaindo-se no chorinho, onde, então, esteve à vontade.

Não sabemos se “Vero” executou essa gravação por simples experiência ou se continuará gravando. É de esperar-se, todavia, que outras gravações suas sejam executadas. Infelizmente, o repertório pianístico popular continua muito fraco. Afora as gravações de Carolina Cardoso de Menezes, que são reduzidíssimas, e as de Mário de Azevedo não temos outras, dignas de nota. Assim, “Vero”, com seus discos, virá engrandecer e honrar o reduzido repertório pianístico popular brasileiro.

Trata-se de um disco, portanto, que se recomenda por si próprio.

Diário da Noite, 19/6/50 - Clique para ver em alta resolução
Na foto: Império Argentina, em espaço diminuto de tempo, conquistou o público brasileiro. Intérprete das mais aplaudidas das melodias de Espanha, seus discos, por isso mesmo, são disputados pelos seus fãs incondicionais. Ao que soubemos, a notável vocalista de Los Piconeros, atualmente na Argentina, pretende realizar uma turnê no Brasil, estreando em São Paulo. Assim, seus admiradores, entre os quais nos incluímos, e que a conhecem apenas através do disco e dos seus poucos filmes, terão ocasião de admirá-la pessoalmente. Seu último sucesso, no disco, para a etiqueta Odeon, da qual é artista exclusiva, foi Olé Catapum.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Diário da Noite, 26 de Maio de 1950

PIANISTA DE VALOR

Noticiamos há poucos dias a transferência, com malas e bagagens, da Odeon para a Capitol, da pianista patrícia Carolina Cardoso de Menezes, há muito tempo ausente dos suplementos. Aliás, essa ausência era por todos notada, especialmente pelos seus admiradores, que estranhavam o fato de Carolina não estar mais gravando. Felizmente, foi uma ausência temporária, pois na nova gravadora recém-instalada no Brasil a nossa pianista já levou à cera diversas melodias. Por sinal que coube à querida intérprete a primazia de inaugurar a etiqueta nacional da Capitol. Tanto é assim que o seu disco, objeto das nossas apreciações de hoje, levou o nº00-001. A Capitol, assim, pode considerar-se de parabéns com a sua aquisição que, sem dúvida, honrará o seu prestigioso e extenso cast. Carolina Cardoso de Menezes é, com efeito, uma grande artista nacional apaixonada pela nossa música. Aliás, com a sua performance em Pombo Correio e Regressando, dois rumorosos chorinhos encerrados neste seu primeiro disco para a etiqueta em questão, ela confirma a nossa assertiva. Seus dedos impulsionam as teclas do instrumento cm habilidade tal, que o nosso corpo, em face do ritmo forte da partitura, procura remexer-se instintivamente. As notas vertem de seus dedos com uma impetuosidade e abundância tais que deixa a gente seriamente impressionada.

Carolina Cardoso de Menezes
Dificilmente outro pianista conseguirá realizar o que executa Carolina nestes dois chorinhos. Embora em ambas as faces do disco a festejada intérprete se porte de forma excelente, gostamos mais da face de Regressando, onde ela consegue, através dos agudos, efeitos ímpares, harmoniosos apesar do vigor com que dedilha as teclas, demonstrando, assim, alto sentido musical.

Não temos receio em recomendar esse disco, ainda àqueles que não apreciam o gênero. Estes, mesmo não gostando dos chorinhos, poderão admirar a técnica soberba de uma pianista popular. Os que gostarem do ritmo bamboleante, especialmente para dançar, não devem perdê-lo. Entretanto, para os admiradores de longa data de Carolina Cardoso de Menezes, especialmente, é que este disco se recomenda.

Pianos Brasil, 1949
Na foto: Esta é a figura curiosa e pitoresca de Aquilino, “o malabarista do sax-alto”. O público paulistano já conhece a maneira típica com que Aquilino faz uso do seu saxofone, porquanto realizou ele, recentemente, uma temporada entre nós, atuando numa emissora e em boates. Pois Aquilino gravou para a Continental El Burro de Pegas e Venga Ya, um passo-double. Recorda-se que foram estas as músicas com que, nesta Capital, Aquilino arrancou demorados aplausos do público.


Muito boa a gravação.

Diário da Noite, 16 de Maio de 1950

NOTAS E NOTÍCIAS

Vamos fazer hoje um novo parêntesis em nossas apreciações sobre as últimas gravações lançadas no mercado, a fim de trazer aos amáveis leitores mais um punhado de notícias intimamente presas ao mudo dos discos. Ei-las:

Esteve na Argentina, durante a semana última, o Sr. Aníbal Conde, diretor da Odeon, a fim de contratar para a etiqueta da rua da Liberdade alguns dos mais afamados artistas argentinos, cujos contratos se findaram com outras gravadoras. O Sr. Conde nos prometeu, dentro de alguns dias, revelar os nomes desses cartazes e outras novidades. Aguardaremos. – A Continental mandou reformar inteiramente os seus estúdios de gravação de São Paulo, estando os trabalhos nos retoques finais. – Por outro lado, os estúdios de gravação que a Odeon mandou construir anexos à sua grande fábrica, em Santo André, também estão quase prontos. – Isto vem revelar que tanto a Continental como a Odeon vão incrementar as gravações em São Paulo, o que não deixa de ser uma boa notícia para os artistas paulistas, cuja grande maioria jazia no esquecimento por parte das firmas gravadoras. – Luiz Gonzaga, o homem das sanfonas e dos baiões, terminou mais uma melodia da série dedicada às profissões. Ele, que lançou um número dedicado aos sapateiros, o Vou Batendo Sola, e outro aos alfaiates, Vou Cortando Pano, gravará para o próximo suplemento Victor, Sou Chofer de Praça. – Por falar em Luiz Gonzaga, encontra-se ele de malas prontas para retornar a São Paulo, posto que o seu contrato com uma emissora carioca já está prestes a findar-se. Não obstante, a transmissora está fazendo o impossível para prendê-lo sob outro contrato.

Zé Gonzaga, quando entrou no cast da Tupi
(Diário da Noite, 31/5/50)
– Ao que parece, Zé Gonzaga, irmão do homem dos baiões, vai trocar de nome, nos discos, a pedido de Luiz, a fim de evitar confusão. Como se sabe, Luiz Gonzaga grava para a RCA Victor e Zé Gonzaga, para a Odeon. – Marlene gravará ainda esta semana, para a Continental, o maracatu Cambinda Briante. – A Odeon vem de perder uma grande artista: Carolina Cardoso de Menezes, a deliciosa pianista patrícia, que passou de armas e bagagens para a Capitol nacional, já tendo, aliás, gravado diversos discos. – Também Heleninha Costa passou para a Capitol, rescindindo o seu contrato com a Continental. – A nova gravadora nacional, como se vê, está procurando açambarcar para a sua etiqueta os melhores cartazes nacionais, muitos dos quais já estão sendo trabalhados. – E por falar em Heleninha Costa, anuncia-se que ela contrairá matrimônio brevemente com um dos elementos do conjunto vocal Os Cariocas. – Francisco Carlos, aquele cantor de Carnaval no Fogo, gravou o bolero de Humberto Teixeira e Oldemar Magalhães, Timidez. – As irmãs Castro, o afinado duo paulista, gravaram, para a Continental, dois baiões.

Maria Kareska, em óleo sobre de tela,
 de Flávio de Carvalho (1950)
– My Melancholy Baby, é o último sucesso de Perry Como para a etiqueta Victor. – A Continental está gravando as vozes dos nossos maiores poetas, lendo os seus mais representativos trabalhos. Manoel Bandeira foi o primeiro. A iniciativa não deixa de ser curiosa. – A modinha Quem Sabe..., de Carlos Gomes, vem de ser gravada pela Continental na magnífica voz do soprano tcheco Maria Kareska.

E é só.

Na foto: Maria Kareska, o aplaudido soprano que todos nós aprendemos a admirar, dada a sua invulgar tonalidade vocal e sensibilidade interpretativa, gravou no princípio deste mês, para a Continental, vários discos. Em um deles, foi colocada a modinha Quem Sabe..., de Carlos Gomes, como uma homenagem pela passagem do primeiro centenário de nascimento do grande mestre campineiro.