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quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Diário da Noite, 06 de Junho de 1950

NOTAS E NOTÍCIAS

Tito Schipa será uma das próximas atrações da Cidade do Rádio. Ao que soubemos, o mais famoso dos tenores peninsulares trará um punhado de novas melodias que pretende gravar no Brasil. Como a etiqueta à qual Schipa está preso sob contrato é a RCA Victor, naturalmente essas gravações serão feitas em seus estúdios em São Paulo. – Sir Malcolm Sargent, que tantas gravações de alto padrão nos tem proporcionado, através da Columbia, à frente dos mais categorizados conjuntos britânicos, encontra-se, atualmente, na Argentina atuando no Teatro Colón, de Buenos Aires. Dentro de breves dias estará no Brasil, onde a sua estréia está sendo anunciada para o próximo dia dez, no Teatro Municipal do Rio. Aliás, a Columbia lançou em seu último suplemento, sob a regência do famoso maestro, e em execução da Orquestra Hallé, de Londres, Eugene Oneguin, de Tchaikowsky. – Por falar em Malcolm Sargent, o famoso regente britânico, antes de aceitar o convite de vir reger a Orquestra Sinfônica Brasileira, se deu ao luxo de solicitar, da Rádio Ministério da Educação várias gravações do conjunto nacional para se inteirar do valor dos seus componentes. – Peter Kreuder, o discutido pianista popular alemão, continua gravando melodias brasileiras, tendo levado à cera, sob a responsabilidade do selo Victor, o popular Apanhei-te Cavaquinho, de Ernesto Nazareth. – A orquestra paraibana de Severino Araújo, batizada de “Tabajara”, está conseguindo ruidoso sucesso com as suas gravações Macumbou e Olinda, para a Continental.

Haroldo Lobo
– Haroldo Lobo recebeu nada menos de setenta e quatro mil cruzeiros de direitos autorais por suas composições carnavalescas. A venda dos discos contribuiu, em grande parte, para aquele total. – O filme nacional Não é Nada Disso, apresenta duas toadas sertanejas, Xô! Xô! Passarinho e Quando Você Foi Embora, que foram gravadas pelos “Quitandinhas Serenader’s” para a Odeon. – A Continental lançou, recentemente, um disco com um pianista chamado “Vero” interpretando Tocantins, um chorinho interessante, e Madrigal, uma valsa bastante romântica. “Vero” é ao que apuramos, nada mais nada menos que o maestro Radamés Gnatalli. – O último sucesso de Oscar Carboni, para a etiqueta dos três sininhos, é o stornello Strada Delle Mimose. Como se sabe, “o rouxinol da Itália” estará, dentro em pouco, ao microfone famoso da Cidade do Rádio.

Oscar Carboni, Rádio Tupi, Diário de S. Paulo, 17/6/50
Na foto: Tito Schipa, dentro de poucas semanas, estará encantando o público paulista com a sua inigualável e melodiosa voz. Sendo artista exclusivo da Victor, pretende gravar em São Paulo várias canções ainda não levadas ao disco. São melodias, aos que soubemos, dos mais famosos e inspirados compositores italianos.

Diário da Noite, 02 de Junho de 1950

O ROUXINOL DA ITÁLIA

Já tivemos ocasião de traçar, por estas mesmas colunas, o perfil artístico de um dos mais aplaudidos vocalistas da Itália: Oscar Carboni, cognominado “o rouxinol da Itália”. De fato, o cognome de Oscar Carboni é dos mais merecidos. Ele canta, realmente, como um rouxinol, especialmente quando canta um stornello. Carboni e Carlo Buti nesse sentido, são absolutos.

Strada Delle Mimose, a mais recente gravação de Oscar Carboni para a Cetra, é uma cabal demonstração de como se canta o stornello. É pena que a massa da Cetra seja um pouco dura e ocasiona algum chiado. Todavia, as qualidades vocais do artista e o acompanhamento orquestral, que é dos mais curiosos, absorve a atenção do ouvinte que, assim, esquece o pequeno senão do disco.

Oscar Carboni
A face oposta à Strada Delle Mimose, por sinal a face A, é uma valsa-canção muito bonita e terna, com uma letra impregnada de sentida poesia e romantismo. Carboni, ainda desta feita, empresta a Al Viale del Colli uma vocalização perfeita, dizendo com muita propriedade os versos da melodia.

Por conhecermos o valor artístico do “rouxinol da Itália”, foi com satisfação que recebemos a notícia de que as Emissoras Associadas o contrataram para uma temporada. Será, sem dúvida, um belo presente da Cidade do Rádio[1] ao público de São Paulo, em particular à laboriosa colônia italiana. Com alusão ao disco que vimos de apreciar ele é, como se poderá depreender, recomendável, especialmente aos admiradores das melodias italianas.

Diário da Noite, 3/6/50 - Clique para ver em alta resolução
Na foto: Oscar Carboni é um cartaz firmado internacionalmente. Seus discos são procurados com avidez pelos admiradores das melodias peninsulares. Sendo, através de suas gravações, um dos artistas mais apreciados do público paulista, a sua estréia, dentro de poucos dias, na Cidade do Rádio, constituirá, sem dúvida alguma, um dos mais ruidosos acontecimentos radiofônicos da cidade.



[1] Nome das “Emissoras Associadas” da Tupi, em São Paulo.

Diário da Noite, 01 de Junho de 1950

O TROVADOR DO CARIBE

Andaram bem as Emissoras Associadas em trazer a São Paulo esse autêntico cartaz internacional que é Fernando Albuerne, “el trovador del Caribe”. Já tivemos ocasião de apreciar, neste mesmo cantinho de coluna, várias gravações do magnífico intérprete das melodias astecas. É, sem dúvida nenhuma, um dos grandes cartazes do disco popular, obtendo suas gravações altos índices de venda.

Os fãs de Fernando Albuerne, em São Paulo, são incontáveis. E já que as Emissoras Associadas, ainda esta semana, vão apresentá-lo aos rádio-ouvintes paulistas, seria interessante traçar aqui o seu perfil artístico.

Nasceu “el trovador del Caribe” em Cuba a 28 de outubro de 1920. Começou cantando aos 21 anos, na Radio Gadena Suaritos, NB-1, de Havana, onde está preso sob contrato até hoje. Já cantou em todas as capitais da América Latina e fez também uma temporada na Columbia Broadcasting System, de Nova York, em 1944. É solteiro e proprietário de uma fábrica de sabão em Havana. Vem de fazer uma temporada na Radio Globo e na boate Acapulco, do Rio de Janeiro. É artista exclusivo da constelação Odeon, de cuja famosa equipe de boleristas, juntamente com Gregorio Barrios, é dos primeiros.

Casa Beethoven

Fernando Albuerne e a partitura do sucesso
"Hipócrita", de Carlos Crespo
Vários são os discos gravados por Fernando Albuerne: Dices que Tengo Celos, No, no, no, Tú, Donde Estás?, Ay de Mi, Pecado e Cariñito. Gravou, recentemente, nos estúdios da Odeon, no Rio de Janeiro, Hipócrita, Amor y Más Amor e a versão latina de Cavaleiros do Céu: Ginetes em el Cielo.

Os amantes do disco estão, portanto, de parabéns, pois além de el trovador del Caribe, as Associadas anunciam a vinda de Georges Henry, cujo recente sucesso para a Continental, Tu Sais, analisaremos em próxima crônica; Tito Schipa, Zé Gonzaga e sua endiabrada sanfona e outros, estando a estréia de Oscar Carboni, “o rouxinol da Itália”, sendo aguardada com viva ansiedade pelo público de São Paulo, especialmente pela colossal colônia italiana.

Diário da Noite, 1/6/50 - Clique para ver em alta resolução
Na foto: Fernando Albuerne faz parte da equipe de boleristas da etiqueta Odeon. Com Gregorio Barrios, encabeça a lista dos melhores intérpretes das melodias astecas. Como um presente aos seus fãs de São Paulo, as Emissoras Associadas apresentá-lo-ão, ainda esta semana, ao seu microfone famoso.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Diário da Noite, 19 de Maio de 1950

DUAS “DANÇAS”

Danse Rituelle Du Feu, de Manuel De Falla, faz parte, como se sabe, do ballet O Amor Feiticeiro. É uma partitura de aceitação universal, muito aplaudida pelos conhecedores e pelos leigos, simples apreciadores de boa música.

Essa famosa partitura do festejado compositor espanhol tem tido várias edições fonográficas, tanto no original como em arranjos para piano. São conhecidas as execuções de Arthur Rubinstein, Alexander Brailowsky e José Iturbi, sendo que a deste último em interpretação bastante inferior à dos dois primeiros.

O disco que temos em mão, da Columbia francesa, nos proporciona mais uma gravação da Dança Ritual do Fogo, executada pelo pianista espanhol Roger Machado, muito conhecido e admirado na Europa, especialmente em Paris, onde se aperfeiçoou. De fato, pela interpretação dada a essa partitura de Manuel De Falla, pode-se avaliar a técnica superior desse pianista.

Manuel De Falla
Da gravação propriamente dita nada mais há que dizer, pois obedece ao padrão superior da Columbia francesa, não havendo estalidos, chiado excessivo ou as clássicas bolhas, reveladoras da má qualidade da massa.

Cumpre ressaltar aos amantes do disco que a Orquestra Pops, de Boston, sob a regência de Arthur Fiedler, também levou à cera, em disco Victor, a Dança Ritual do Fogo, que faz parte da última face dos três discos em que se acha gravado, pela mesma orquestra, o famosíssimo Bolero, de Ravel. A Pops empresta à música de De Falla uma das melhores execuções.

Na outra face do disco que vimos comentando, o pianista Roger Machado nos apresenta Villanesca (Dança Espanhola nº4), também de Manuel De Falla, magnificamente executada, tirando do piano uma bela sonoridade.

Oscar Carboni
Aqueles que admiram as belas execuções pianísticas não devem perder esse disco.

Na foto: Eis um respeitável rival de Carlo Buti no estilo stornello. O estilo stornello, como se sabe, são aqueles gorjeios que os cantores napolitanos imprimem à voz, exigindo grande habilidade e muita experiência. Em Nápoles, especialmente na zona portuária, os pescadores, cantores naturais, fazem torneios de stornello. Aquele que demorar mais dando gorjeios à voz, mas gorjeios bonitos e seguros, ganham a parada. Pois a Strada Delle Mimose é um stornello que Oscar Carboni, um dos mais aplaudidos vocalistas italianos, nos proporciona nesse seu novo disco para a Cetra. Na face oposta há uma valsa-canção: Al Viale Dei Collo.