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sábado, 31 de maio de 2014

Diário da Noite, 30 de setembro de 1950

ALGUMAS NOVIDADES

Blackout está “martelando” em suas audições, no Rio de Janeiro, uma marchinha bastante interessante que, por sinal, já foi por ele gravada pelo selo Continental. Trata-se da marcha Papai Adão.

* A Victor colocou nas revendedoras um disco bastante interessante para os dançarinos. Trata-se de dois lados gravados pela orquestra de Larry Green, interpretando os seguintes números: Sometimes I’m Happy, de Irving Caesar e Vincent Youmans, e I Want to Be Happy, dos mesmos autores. Preferimos a primeira face, pela performance do piano, que toma conta de toda a gravação.

* A Cetra vai colocar na praça várias novidades, entre elas um disco bastante interessante gravado pelo acordeonista italiano Wolmer Beltrami e seu conjunto de ritmos. Os números apresentados são: Tango Zingaresco, de autoria do próprio Beltrami e Fantasia di Canzoni nº6, contendo arranjos das páginas de Chopin, Tristezze, e de Sciorilli, Inspirazioni. Um disco bastante curioso.

* A Capitol, em seus próximos lançamentos, tem programado, pelo The King Cole Trio, tendo Nat Cole como solista, um disco encerando os seguintes números: Disposto para Amar e Embraceable You, dois bonitos foxes, aliás já conhecidos através de gravações de outros conjuntos.

The King Cole Trio
* Com alusão ainda à Capitol, anuncia o seu suplemento um disco da orquestra de Paul Weston contendo as seguintes páginas, em arranjo moderno: Rapsódia Sueca, uma fantasia; e Full Moon & Empty Arms, de Rachmaninoff. O piano do conjunto de Weston, em ambas as faces, constitui um grande espetáculo para a nossa sensibilidade.

* Luiz Americano, o veterano artista do broadcasting nacional, terá um disco seu editado, o mês próximo, pela Odeon: Sabiá Feiticeiro, choro de Lina Pesce, e No Grajaú Tênis Club, outro choro de sua própria autoria, são as páginas que ele nos oferece. Na primeira ele atua como saxofonista e, na segunda, como clarinetista, cujos instrumentos ele domina, como autêntico mestre que é.

Luiz Americano
* Dick Farney, agora também ator cinematográfico, filmou Somos Dois, película aliás já em exibição nas salas da capital da República. Pois a Capitol nacional, da qual Dick Farney é um dos interessados, vai editar um álbum especial contendo gravações de todas as melodias do filme.

* Marta, a bonita canção de Moisés Simon, gravada já por vários cartazes de renome, como Carlos Ramirez, Nicolás Urcelay e Beniamino Gigli, foi levada ao disco também por Dick Haymes, num aranjo especial para o seu estilo. A gravação nacional é de responsabilidade do selo Odeon e, na face oposta do disco, encontra-se a bela canção de Jerome Kern e Hammerstein, Você é a Canção.

Hebe Camargo
Na foto: Hebe Camargo vai ter editado mais um disco seu pela Odeon, no qual serão apresentados os seguintes números: Baiano dos Oio Grande, do jovem compositor paulista Sérgio Falcão, e O Samba de Havana, de Liz Monteiro e Oswaldo França. Será, certamente, mais um autêntico sucesso da estrelinha das Emissoras Associadas de São Paulo, tal qual o obtido por Oh! José e Quem Foi Que Disse?

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Diário da Noite, 17 de Junho de 1950

DOIS CARTAZES PAULISTAS

Diversos valores da música popular brasileira, radicados em São Paulo, conseguiram impor-se, pelo seu talento, no conceito do público. Nada mais razoável do que serem lembrados pelas gravadoras. Já não se fala em Isaura Garcia, que já faz alguma tempo está sob contrato da RCA Victor. Mas, de Hebe Camargo, Norma Ardanuy, Risadinha e Neyde Fraga. Todos eles, como se vê, nomes há muito firmados na admiração dos rádio-ouvintes brasileiros. Todavia, só agora foram lembrados pelas gravadoras. Hebe Camargo e Norma Ardanuy, artistas das Emissoras Associadas, estão sob contrato da Odeon, o mesmo acontecendo com Risadinha; e Neyde Fraga foi contratada pela etiqueta Elite, cujo diretor artístico, o dinâmico Alberto Ergas, pretende contratar outros positivos valores do rádio paulista para o seu selo. Os artistas paulistas, assim, como se vê, embora tardiamente, já começam a ser cobiçados pelas firmas gravadoras.

Vamos apreciar, em nossa nota de hoje, dois discos de artistas de São Paulo. O primeiro, gravado por Norma Ardanuy, cantando dois sambas: Mania de Grandeza, de Denis Brean e Osvaldo Guilherme; e Não Quero Voltar, de José Roy e O. Monelo. O outro é gravado por Risadinha, vocalizando o samba de O. França e A. Lima, Baburiba no Samba e A Nêga Já Sabe, um samba-choro que leva as assinaturas de Haroldo Lobo e Milton Oliveira.

Diário de S. Paulo, 30/4/50
Ambas as gravações estão muito boas. Norma Ardanuy, que todos aprendemos a admirar, através de suas audições na Cidade do Rádio, nos dá uma Mania de Grandeza muito curiosa e um Não Quero Sambar, em nossa opinião melhor ainda. A orquestra de Carioca é que executa o acompanhamento. E o faz como só Carioca seria capaz. Magnífica a estréia da estrelinha associada na etiqueta Odeon.

Risadinha, por seu turno, nos proporciona um Baburiba no Samba espetacular. Confessamos que quando do seu primeiro disco para a etiqueta da rua da Liberdade – Faran-Fan-Fan – receamos pelo seu fracasso. Todavia, essa apreensão, que reservamos para fazer um juízo definitivo quando de sua próxima gravação, desanuviou-se ao ouvirmos a sua interpretação do samba de O. França e A. Lima. Perfeita. Além disso, Risadinha bisa a sua performance da face A no lado de A Nêga Já Sabe, o mesmo ocorrendo com o acompanhamento orquestral, que é excelente. Como se vê, São Paulo demonstra, através desses dois ótimos discos, que também sabe cantar samba.

Risadinha
Na foto: O conjunto orquestral de Artie Shaw foi um dos mais prestigiosos dos Estados Unidos. Entretanto, conquistado pelo cinema, Artie se encheu de vento, desgostando os componentes da orquestra que, não demorou muito, foi desfeita. Daí para cá o popular regente e clarinetista tem procurado formar uma conjunto senão igual, pelo menos semelhante àquele que não soube conservar. Inutilmente. Em conseqüência, sua popularidade tem decrescido sobremaneira. Poucos discos tem gravado ultimamente e os que nos tem chegado são de valor artístico bastante discutível. É de esperar-se, todavia, que Artie consiga organizar um conjunto como aquele dos seus áureos tempos. Vontade e capacidade, pelo menos, não lhe faltam.