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terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Diário da Noite, 31 de agosto de 1950

TRECHOS LÍRICOS

A Victor, em suplemento do próximo mês de setembro, incluiu vários discos com interessantes gravações de trechos líricos, nas vozes famosas de Giuseppe Di Stefano, Ferruccio Tagliavini, Zinka Milanov, Kerstin Thorborg e Jan Peerce.

Com o tenor Giuseppe Di Stefano, secundado pela Orquestra Sinfônica de Londres, sob a direção de Alberto Erede, a aludida etiqueta, através do seu famoso selo vermelho, nos oferece, do segundo ato de A Traviata, de Verdi, Lunge da Lei; e na outra face, da Manon, de Massenet, Ah! Dispar, Vision, do terceiro ato.

Na gravação de Ferruccio Tagliavini, considerado um dos mais perfeitos tenores da atualidade, mas que não convenceu em sua atuação na atual temporada, em São Paulo, talvez por indisposição passageira, vamos encontrar, de A Africana, de Meyerbeer, O Paraíso!, do quarto ato; e, na outra face, de A Arlesiana, de Cilea, Lamento de Frederico, do segundo ato. Antal Doráti, regendo a orquestra RCA Victor, é responsável pelo acompanhamento.

Giuseppe Di Stefano
O terceiro disco que focalizamos nestas notas nos apresenta três famosas vozes: Zinka Milanov, Kerstin Thorborg e Jan Peerce. Numa das faces se acha gravada a ária do quarto ato de O Trovador, de Verdi, Misere, com Milanov e Peerce; e na outra, com Peerce e Thorborg, ária Ai Nostri Monti, também do quarto ato de O Trovador. A Orquestra da Ópera do Metropolitano de Nova York executa o acompanhamento.

Todos os artistas que intervêm nas gravações em apreço, de renome internacional, alguns dos quais já conhecidos do público brasileiro, especialmente Tagliavini, Di Stefano e Zinka Milanov, vocalizam as árias mencionadas como só eles seriam capazes. Giuseppe Di Stefano, apesar de ser um dos mais jovens tenores do momento, nos proporciona duas interpretações magníficas, sendo de notar-se a excelência da gravação, sob o ponto de vista técnico.

Kerstin Thorborg
Tagliavini, no disco em apreço, se apresenta, talvez, nas duas melhores gravações da sua vitoriosa careira, principalmente a do Lamento de Frederico, do segundo ato da ópera de Cilea, dada a sua perfeita interpretação e a fidelidade da gravação.

Também no disco em que são apresentados os sopranos Zinka Milanov, Kerstin Thorborg e o tenor Jan Peerce, é dos mais recomendáveis, especialmente pela face do famoso Misere, dada a sua dramaticidade, muito bem realçada pelas bonitas vozes de Milanov e Peerce, coadjuvados pelo Conjunto Coral sob a direção de Robert Shaw.

Ferruccio Tagliavini
Os apreciadores da música lírica não devem deixar de ouvir as gravações em referência. Vale a pena.

Na foto: Leonard Warren é considerado, no momento, o maior barítono do mundo. Encontra-se atualmente no Rio de Janeiro, participando da temporada lírica da capital da República. Warren, segundo as suas notas biográficas, não sabia uma nota musical sequer quando, pela primeira vez, cantou profissionalmente. Mas possuía a música no coração. Tanto assim, que, em 1938, ganhou o primeiro prêmio entre 700 cantores, nas “Audições do Ar”, do Metropolitano, de Nova York, impressionando vivamente os juizes – os mais competentes maestros – com a riqueza e o volume de sua voz. Sua interpretação, em disco, da ópera O Barbeiro de Sevilha, de Rossini, é considerada das mais perfeitas. Com a estada desse exuberante cantor entre nós, é grande a procura de seus discos, especialmente das gravações avulsas das árias Largo al Factotun, de O Barbeiro de Sevilha, e de A Canção do Toureador, de a Carmen, de Bizet, onde ele está magnífico.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Diário da Noite, 25 de Abril de 1950

PÁGINA DE BEETHOVEN

Gioconda de Vito é considerada, na Itália, a sua maior violinista. Nasceu ao sul da península e estudou com o conhecido virtuose italiano Remy Principe. Conquistou, em 1932, o primeiro prêmio do Concurso Internacional de Viena, sendo, em seguida, nomeada professora de violino da Academia de Santa Cecília, em Roma.

Temos em mãos dois discos dessa festejada virtuose. Um é da “His Master’s Voice”, fabricação inglesa, de nºDB-6727; o outro é de fabricação nacional, da RCA Victor, selo vermelho, nºB-5007. Em ambos está gravado o Romance nº2, em fá maior, opus 50, de Beethoven. As duas gravações, a inglesa e a nacional, foram prensadas obedecendo a mesma matriz, não se tratando, portanto, de duas gravações distintas.

Da interpretação de Gioconda de Vito, nesta belíssima página de Beethoven, só se poderá dizer que é magnífica, bastante sincera e expressiva, destacando-se, de forma frisante, o seu instrumento sobre o acompanhamento orquestral, que é executado pela Filarmônica de Londres, sob a direção do maestro Alberto Erede.

A gravação da “His Master’s Voice” é muito boa. A da Victor nacional, entretanto, em nada lhe fica a dever. Possivelmente a gravação inglesa leva uma ligeira vantagem no que diz respeito à massa empregada, que evidentemente é superior e elimina quase que totalmente o chiado, o que se observa ainda no disco nacional, embora não de forma acentuada.

Em se tratando de gravações que foram fabricadas sob o molde da mesma matriz, uma ou outra que o discófilo adquirir, estamos certos, ficará satisfeito, especialmente os que têm predileção pelos solos de violino.

OUTRO ROMANCE

Das mais apreciáveis essa gravação que a Victor nacional nos apresenta pelo famoso virtuose do violino que é Yehudi Menuhin. Encerra ela o Romance (sobre um tema de Paganini) e Minueto em ré, de Mozart, na interpretação do grande violinista.

Gioconda de Vito e Yehudi Menuhin
Trata-se de um disco que não temos o menor receio de recomendar, especialmente aos espíritos românticos. Romance é de uma melodia dulcíssima, suave e confortante, que se gravará indelevelmente em nossos espíritos.

Não é sem razão que esse disco, apesar de clássico, esteja atingindo alto índice de venda. Em muitas revendedoras já se encontra esgotado.