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sábado, 31 de maio de 2014

Diário da Noite, 30 de setembro de 1950

ALGUMAS NOVIDADES

Blackout está “martelando” em suas audições, no Rio de Janeiro, uma marchinha bastante interessante que, por sinal, já foi por ele gravada pelo selo Continental. Trata-se da marcha Papai Adão.

* A Victor colocou nas revendedoras um disco bastante interessante para os dançarinos. Trata-se de dois lados gravados pela orquestra de Larry Green, interpretando os seguintes números: Sometimes I’m Happy, de Irving Caesar e Vincent Youmans, e I Want to Be Happy, dos mesmos autores. Preferimos a primeira face, pela performance do piano, que toma conta de toda a gravação.

* A Cetra vai colocar na praça várias novidades, entre elas um disco bastante interessante gravado pelo acordeonista italiano Wolmer Beltrami e seu conjunto de ritmos. Os números apresentados são: Tango Zingaresco, de autoria do próprio Beltrami e Fantasia di Canzoni nº6, contendo arranjos das páginas de Chopin, Tristezze, e de Sciorilli, Inspirazioni. Um disco bastante curioso.

* A Capitol, em seus próximos lançamentos, tem programado, pelo The King Cole Trio, tendo Nat Cole como solista, um disco encerando os seguintes números: Disposto para Amar e Embraceable You, dois bonitos foxes, aliás já conhecidos através de gravações de outros conjuntos.

The King Cole Trio
* Com alusão ainda à Capitol, anuncia o seu suplemento um disco da orquestra de Paul Weston contendo as seguintes páginas, em arranjo moderno: Rapsódia Sueca, uma fantasia; e Full Moon & Empty Arms, de Rachmaninoff. O piano do conjunto de Weston, em ambas as faces, constitui um grande espetáculo para a nossa sensibilidade.

* Luiz Americano, o veterano artista do broadcasting nacional, terá um disco seu editado, o mês próximo, pela Odeon: Sabiá Feiticeiro, choro de Lina Pesce, e No Grajaú Tênis Club, outro choro de sua própria autoria, são as páginas que ele nos oferece. Na primeira ele atua como saxofonista e, na segunda, como clarinetista, cujos instrumentos ele domina, como autêntico mestre que é.

Luiz Americano
* Dick Farney, agora também ator cinematográfico, filmou Somos Dois, película aliás já em exibição nas salas da capital da República. Pois a Capitol nacional, da qual Dick Farney é um dos interessados, vai editar um álbum especial contendo gravações de todas as melodias do filme.

* Marta, a bonita canção de Moisés Simon, gravada já por vários cartazes de renome, como Carlos Ramirez, Nicolás Urcelay e Beniamino Gigli, foi levada ao disco também por Dick Haymes, num aranjo especial para o seu estilo. A gravação nacional é de responsabilidade do selo Odeon e, na face oposta do disco, encontra-se a bela canção de Jerome Kern e Hammerstein, Você é a Canção.

Hebe Camargo
Na foto: Hebe Camargo vai ter editado mais um disco seu pela Odeon, no qual serão apresentados os seguintes números: Baiano dos Oio Grande, do jovem compositor paulista Sérgio Falcão, e O Samba de Havana, de Liz Monteiro e Oswaldo França. Será, certamente, mais um autêntico sucesso da estrelinha das Emissoras Associadas de São Paulo, tal qual o obtido por Oh! José e Quem Foi Que Disse?

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Diário da Noite, 15 de setembro de 1950

FAMOSA MELODIA

Já tivemos ocasião de fazer referência, por esta coluna, à melodia de Anton Karas O Terceiro Homem, do filme do mesmo nome. Trata-se de uma melodia simples, despretensiosa, quase que diríamos vulgar, mas que, em conseqüência da película de que faz parte, ganhou uma fama tal que constitui uma verdadeira coqueluche em todos os países da Europa e, agora, nos Estados Unidos. Gravações de O Terceiro Homem existem muitas e todas elas têm obtido espetaculares “records” em venda, superando a todos os existentes. Naturalmente isso se dará aqui no Brasil também. Por enquanto, embora a Odeon, a Columbia, e a Elite já estejam preparadas para o lançamento das gravações da famosa melodia, ninguém, isto é, o grande público, ainda não tomou conhecimento dela. Entretanto, bastará a chegada do filme, e, estamos seguros, se tornará, como tem acontecido noutras nações, uma epidemia.

Como dissemos, a Odeon, a Columbia, e a Elite são as que, por enquanto, possuem as matrizes de O Terceiro Homem. A primeira conseguiu a matriz original, isto é, a gravada pelo próprio autor da melodia, Anton Karas, em solo de cítara, que, na fita, embora não apareça, é o responsável pela sua execução. A gravação da Columbia nos apresenta O Terceiro Homem com o Quarteto Café Viena. A Elite, entretanto, possui a matriz de uma gravação otimamente orquestrada, sobressaindo-se, naturalmente, os solos de cítaras, para cujo instrumento foi O Terceiro Homem composta.

Anton Karas: Um homem e sua cítara
A Victor, por sua vez, segundo fomos informados, também lançará uma gravação da partitura de Anton Karas. Outras mais, é evidente, aparecerão. Entretanto, conhecemos, pelas provas, apenas as da Odeon, da Columbia e da Elite. A da gravadora da rua da Liberdade tem a particularidade, que a valoriza, de ser o próprio Anton Karas o solista. Entretanto, nos pareceu uma gravação um tanto vazia, quase inexpressiva e, até monótona. Mas dá o ensejo de se apreciar a técnica de Anton Karas como solista de cítara, o pequeno e bizarro instrumento pouco conhecido entre nós. A da Columbia, embora menos vazia, não satisfaz, dado os altos e baixos do quarteto em questão.

O poster original de The Third Man
Clique para ver em alta resolução
Já a gravação da Elite, magnificamente orquestrada, executada por um conjunto europeu, nos impressionou melhor. Isso porque, revezando-se os solos de cítara e as variações orquestrais, a monotonia natural da melodia é anulada, o que não acontece com as versões anteriores. O resultado é que o disco se transformou em algo audível do primeiro ao último sulco.

Aliás, a Odeon e a Columbia deverão colocar nas revendedoras, ainda esta semana, as gravações de Anton Karas e do Quarteto Café Viena. A da Elite parece que vai demorar um pouco mais. E a da Victor, que não conhecemos, mais ainda. O discófilo curioso, entretanto, deve conhecer todas as versões de O Terceiro Homem. Se preferir apenas a que apresenta o solista de cítara, não há dúvida de que a de Anton Karas, apesar de vazia, merece atenção especial, porquanto se trata do próprio autor da melodia. Se se satisfizer com um pequeno conjunto, ouça a gravação da Columbia. Agora, se é apreciador de boas orquestrações como nós, terá que aguardar um pouco mais e escolher entre as demais versões, uma das quais, a da Elite, conhecemos e podemos assegurar ser de muito bom padrão.

Rago (no centro) e seu regional. Foto do site MPB Net
Na foto: O regional de Rago, pertencente ao cast das Emissoras Associadas de São Paulo, gravou para a Continental mais um disco no qual vamos encontrar o bolero Em Tuas Mãos, de Antonio Rago, e o choro Grande Amigo, do mesmo autor.em ambas as faces o popular conjunto está magnífico, especialmente na do bolero, onde os solistas se revezam nos destaques. Assim, não apenas Rago, responsável pelo solo principal, aparece, mas também Orlando Silveira, que vemos no clichê; Alcides, o clarinetista; Esmeraldino, do cavaquinho e autor daquele delicioso samba Oh! José, gravado por Hebe Camargo. Em Tuas Mãos, estamos certos, se lhe for dada uma letra, será mais um dos grandes sucessos do conhecido compositor patrício.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Diário da Noite, 16 de agosto de 1950

GRAVADORA EM FESTA
                          
No próximo dia 16, com a presença de altas autoridades estaduais e municipais, de São Paulo e de São Bernardo do Campo, bem assim de convidados especiais e de artistas do Rio e de São Paulo, terá lugar a inauguração oficial da fábrica de discos Odeon, instalada no vizinho município de São Bernardo do Campo.

Já tivemos ocasião de nos referir à aludida fábrica, bem como as demais, do gênero, instaladas em território paulista. São Paulo possui três grandes fábricas de discos: a Continental, a mais antiga; a Victor, à qual está anexa à seção de montagens de rádios etc.; e, agora, a Odeon, cuja inauguração oficial dar-se-á dentro de poucos dias. Mesmo assim, São Paulo está perdendo para o Rio de Janeiro, onde se acham instaladas nada menos de cinco firmas gravadoras: a Continental, a Victor, a Odeon, a Som, que prensa os discos Star e fabricou até pouco tempo os discos da Capitol; e a Sinter S.A., recém-inaugurada e que industrializará os discos Capitol nacionais. Não conhecemos as instalações das fábricas cariocas. Todavia, pelas notícias que nos chegam, parece que as mais perfeitas, quer pela localização, quer pelo sistema arquitetônico cientifico empregado, são mesmo as da Sinter S.A.

Hebe Camargo
Para abrilhantar a festa inaugural da sua fábrica paulista, a diretoria da Odeon, segundo fomos informados, mandou convidar especialmente os seus maiores cartazes cariocas, como Francisco Alves, o mais antigo artista vivo do prestigioso selo; Dircinha Batista, Dalva de Oliveira, David Nasser, o famoso repórter Associado, que é também compositor, além de outros. Os artistas paulistas, que gravam para a empresa, como Hebe Camargo, Wilson Roberto, Norma Ardanuy, Risadinha e outros, farão parte da comissão de recepção aos seus colegas da capital da República. As diretorias de todos as demais gravadoras também foram convidadas, bem assim as rádios emissoras paulistas, os jornais, os cronistas especializados, as diretorias das casas revendedoras, editores musicais, maestros, músicos, etc. Tudo, assim, promete ser uma excelente festa de confraternização artística e, por que não dizê-lo, comercial, porquanto estarão reunidos os representantes da Odeon, da Continental, da Victor, da Elite, da Star, da Capitol...

Homenagens, na ocasião, serão prestadas a diretores e a artistas da etiqueta do pequeno templo. Francisco Alves, ao que soubemos, será alvo de expressiva manifestação de apreço e admiração, da qual serão portadores os seus colegas de São Paulo. A inauguração da fábrica de São Bernardo do Campo, portanto, além de constituir um grande acontecimento para a indústria do disco em São Paulo, dará ensejo a uma magnífica festa de confraternização artística entre os dois maiores centros do país – São Paulo e Rio de Janeiro.

Especialmente convidados, é evidente que tudo faremos para não perder essa festa.

Jornal de Notícias, 7/1/50 - Clique para ver em alta resolução

Na foto: Francisco Alves é um dos mais antigos artistas da etiqueta Odeon. Por ocasião da festa inaugural da fábrica da referida etiqueta, em São Bernardo do Campo, o “velho” Chico será alvo de significativas homenagens por parte dos seus colegas paulistas, “astros” do mesmo selo.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Diário da Noite, 15 de Julho de 1950

NOVIDADES

As firmas gravadoras já começaram a receber as listas e as provas das novidades a serem lançadas no próximo mês de agosto. É com satisfação que observamos que a música nacional está dignamente representada, pelo menos em quantidade. É de esperar-se que o sejam, também, em qualidade. Algumas provas que já ouvimos nos deram boa impressão. Mas vamos às novidades: a Odeon promete, por exemplo, Hebe Camargo, a estrelinha associada, cantando Oh! José e Quem Foi que Disse?, dois magníficos sambas, aliás, já comentados nesta coluna; Fernando Barreto, também cantando dois sambas, Homenagem e Companheira; Dircinha Batista, ainda com dois sambas, valorizados pela assinatura famosa de Ary Barroso: Chama-se João e Na Batucada da Vida, este com uma letra terrível, quase imoral, de Luiz Peixoto; Wilson Roberto, cantando Brasil Romântico, um bom samba, e Amor e Mais Amor, versão brasileira do divulgadíssimo bolero de Bobby Capo; os Trigêmeos Vocalistas, com o seu estilo habitual, cantando o afro-brasileiro Ogum Nilê e a valsa Há Passado; Jorge Fernandes, nas canções folclóricas Engenhos de Minha Terra e Vaquejada; e, finalmente, Raul de Barros, com o seu trombone, tendo na parte vocal, Violeta Cavalcante, nos choros Parabéns Para Você e Faísca. Há ainda no suplemento da gravadora da rua da Liberdade a programação de um disco que esperamos com a mais viva ansiedade: Sinfonia do Guarani, de Carlos Gomes, em duas faces, com Heriberto Muraro ao piano, acompanhado de grande orquestra, dirigida pelo maestro Francisco Mignone.

Os Trigêmeos Vocalistas
Por seu lado, a Continental, também sempre farta em produções nacionais, programou uma porção de gravações com artistas brasileiros, cuja relação ainda não obtivemos mas que, se adianta, ser bastante variada.

A Victor, cuja lista de melodias para agosto ainda não foi elaborada, ao que supomos, prepara, segundo informações que colhemos, um bom suplemento de novidades nacionais, desta vez bem cuidado, com composições selecionadas com rigor e caprichosamente orquestradas. Vamos aguardar.

A Capitol, cuja fábrica nacional vem de ser inaugurada na capital da República, e que vai constituir séria concorrente para as demais gravadoras há muito tempo instaladas no Brasil, pela propaganda que já iniciou através do rádio e da imprensa, vai caprichar, com o máximo rigor, o seu suplemento nacional. Para agosto, por exemplo, ao que se adianta, os melhores lançamentos nacionais serão da Capitol. Será mesmo? Que fiquem de sobreaviso a Odeon, a Victor, a Continental e a Elite, já que a Star continua capengando. E por falar na Elite, também a nova e simpática etiqueta tem gratas surpresas, no campo musical nacional, para o mês vindouro.

Casa Roberto Gordon

Como se vê, o próximo mês promete, no campo do disco. Haja dinheiro para se gastar...


Na foto: Carmen Miranda está figurando na lista avançada da Odeon, em sua parte internacional, com um disco no qual se acha gravado, numa das faces, o Baião, de Luiz Gonzaga. Ouvimos a prova desse Baião, cantado pela ex-“garota notável”. Que coisa horrível, santo Deus! Por cúmulo do azar, ainda intervém as Irmãs Andrews para tornar a gravação mais barulhenta. O que a nossa querida Carmen tão estragadinha pelos americanos, canta, pode ser tudo, menos o delicioso Baião, de Luiz Gonzaga. Como o espírito infantil dos norte-americanos aceita tudo de bom grado, é possível que o tal “Baião” seja lá Estados Unidos um grande sucesso. Aqui, porém, valerá apenas como simples curiosidade.

Diário da Noite, 13 de Julho de 1950

ESTRÉIA AUSPICIOSA

Essa figurinha graciosa e insinuante, que irradia simpatia e conquista todos os que dela se acercam, de sorriso largo e contagiante sempre a florir-lhe os lábios, pondo à mostra alva e sadia dentadura, e que todo São Paulo conhece pelo nome de Hebe Camargo, acaba de se transformar, além de prestigiosa estrela do rádio paulista, num promissor cartaz do disco. É que Hebe Camargo, conforme tivemos ocasião de noticiar, há dias, gravou o seu primeiro disco sob a responsabilidade da etiqueta Odeon, que a conquistou para a sua respeitável constelação. Ouvimos as provas das primeiras gravações da estrelinha das Emissoras Associadas e ficamos deveras impressionados com a performance da vocalista paulista. Ela canta dois sambas: Oh! José, de Esmeraldino Sales e Ribeiro Filho e Quem Foi que Disse?, de Gabriel Aguiar e Valadares do Lago. O disco, em ambas as gravações, está 100% perfeito. Hebe vocaliza os dois sambas com muita personalidade. Aliás, o público de São Paulo conhece de sobejo o estilo superior de Hebe, através de suas atuações ao microfone da Tupi-Difusora. Com sinceridade, não sabemos em qual das faces a estrela paulista está melhor. Em Oh! José que, diga-se de passagem, é uma composição bem bonitinha, valorizada pela letra interessante de Ribeiro Filho, ela porta-se com desenvoltura digna de nota, como se já gravara muitas vezes comercialmente. Aquela sua pronúncia do nome “José” mexe com a gente...

Na face que completa o disco, onde canta Quem Foi que Disse?, há mais movimento, pois o samba é de ritmo mais acentuado. A vocalista diz a letra com muita segurança e desembaraço, sendo digna de observação a clareza da sua dicção, coisa que nem todos os artistas – alguns até veteranos em gravações – têm conseguido, por possuírem graves defeitos de califasia.

Além da parte vocal perfeita, há o acompanhamento orquestral que, por sua vez, se faz credor da nossa admiração. A etiqueta Odeon não faz referência ao autor da orquestração nem ao conjunto que a executa. Todavia, a impressão que tivemos é de que o responsável pela orquestração e pelo conjunto não pode ser outro senão o paulista Carioca.

Hebe Camargo
Uma estréia feliz a de Hebe Camargo no mundo dos discos. Estamos certos de que essa sua primeira cera, que está programada entre os lançamentos Odeon para agosto próximo, a colocará como com justiça o merece pelo seu valor artístico, entre as primeiras – senão a primeira – vocalistas, no gênero, do Brasil.

Um disco que se recomenda.

Parabéns, Hebe.


Na foto: Hebe Camargo, a estrelinha das Emissoras Associadas, com a sua primeira cera, gravada com rara felicidade, está destinada a figurar na primeira plana da lista dos melhores artistas do disco, em seu gênero.[1]


[1] A querida Hebe Camargo se foi em meio à elaboração deste trabalho. É pena não ter podido mostrar-lhe esta crítica de sua primeira gravação, e o carinho que lhe dedicou J. Pereira.

Diário da Noite, 1º de Julho de 1950

NOTAS E NOTÍCIAS

Eis aqui mais algumas notas e notícias relacionadas com o mundo dos discos:

Assoalha-se que todas as músicas apresentadas no programa “Seja Parceiro de Ary Barroso”, apresentado por uma emissora carioca, serão gravadas pelos artistas da Odeon, sob a responsabilidade do famoso selo. – A dupla de compositores Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira produziu, Luiz Gonzaga cantou e a Victor gravou: Respeita o Januário e A Dança da Moda. – Aliás, ao que fomos informados, Dança da Moda, lançada há menos de quinze dias, conseguiu atingir venda “record” absoluta: 13 mil discos. – Com alusão a Luiz Gonzaga, segundo a nossa fonte de informação, seus discos já ultrapassaram, em venda, a casa de meio milhão! – Consta que a primeira gravação do novo Trio de Ouro, o samba Caminho Certo, é a resposta ao samba Tudo Acabado, que Dalva de Oliveira, ex-componente do trio, como se sabe, gravou para a Odeon. – Roberto Silva, jovem vocalista do Rio, deverá gravar ainda este mês mais um disco. Segundo informações conseguidas, a melodia escolhida foi o samba Alaíde, produção musical de Jorge Tavares de parceria com Abelardo Barbosa. – Outro artista, cujas gravações estão obtendo vendas espetaculares é Gregorio Barrios. – O mesmo ocorre com os discos de Fernando Albuerne, principalmente pela sua mais recente gravação para a Odeon, que é Amor, Amor y Más Amor. – A Elite, cujas gravações produzidas no Brasil, já tivemos ocasião de comentar aqui, pelas provas que ouvimos em seus estúdios, já colocou na praça a primeira leva de discos de sua fabricação. – Curioso: Hebe Camargo gravou, para a Odeon, já faz algum tempo, vários números. Todavia, as provas desses discos estão consideravelmente atrasadas. Que é que houve?

Luiz Gonzaga

– Norma Ardanuy, outra artista das Emissoras Associadas, também gravou para a Odeon, posteriormente à Hebe Camargo e, no entanto, as provas de suas gravações já se acham aqui, figurando esse disco no suplemento de julho da etiqueta da rua da Liberdade. – Osvaldo Norton volta a figurar no suplemento da Odeon do mês próximo, interpretando com o seu famoso sexteto, a rumba de Moisés Simon, El Manisero. – Por falar em Osvaldo Norton, recebeu ele da Argentina um punhado de recentes gravações suas, executadas em Buenos Aires, as quais nos foram prometidas pelo jovem band leader. – A Continental, ao que apuramos, está preparando um grande e selecionado suplemento de novidades para mês próximo. Aguardemos. – As gravações de Francisco Albanese para a Cetra, também têm sido grandemente procuradas nas casas revendedoras. – Com a próxima vinda de Império Argentina, para as Emissoras Associadas, a Odeon está preparando uma seleção das suas melhores gravações para lançar à praça, a fim de comentar a sua estada entre nós. – Forró de Mané Vito, lançado há uma semana pela Victor, em gravação de Luiz Gonzaga, atingiu a casa dos 5 mil discos, em venda, nesse diminuto espaço de tempo, conforme nos informaram. Como recordista, Luiz Gonzaga precisa, com efeito, ser respeitado. – Que estará havendo com a Star e a Capitol nacional, das quais não temos tido novidades?

Casa Sotero, Diário da Noite, 22/6/50
Na foto: Com a estada entre nós, de Gregorio Barrios, seus discos têm atingido índices de venda espetaculares. Aliás, na visita que tivemos ocasião de fazer, a semana passada, à fábrica Odeon, pudemos verificar que o que mais se prensa, no momento, ali, são os discos de Gregorio Barrios e de Fernando Albuerne. O maior sucesso do primeiro é o bolero Palavras de Mujer; do segundo, Amor, Amor y Más Amor.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Diário da Noite, 28 de Junho de 1950

INDÚSTRIA DO DISCO

Houve época em que a indústria do disco, no Brasil, se limitava a uma pequena fábrica no Rio de Janeiro. Ali, em seus estúdios, eram gravados discos com os artistas nacionais, isto é, com os radicados na Capital da República. Mais tarde, com o desenvolvimento industrial do país, outras firmas gravadoras instalaram suas fábricas no Brasil, mas sempre no Rio. Ali, se instalaram a Victor, a Continental, a Odeon e, mais recentemente a Star. Anuncia-se que a Capitol, por sua vez, está instalando a sua fábrica, que dizem ser de grandes proporções, no Rio de Janeiro.

São Paulo, entretanto, apesar de constituir o maior parque industrial da América Latina, só há pouco tempo despertou a atenção das firmas gravadoras para a instalação de suas modernas fábricas. É bem verdade que a Continental, já faz algum tempo, tem montada aqui a sua fábrica. Todavia só recentemente é que a RCA Victor e a Odeon se dispuseram a prensar os seus produtos em terras paulistas.

Recebemos, a propósito, em dia da semana última, amável convite do Sr. Aníbal Conde, diretor da Odeon, para uma visita às instalações da indústria localizada em São Bernardo do Campo. Como nós, outros jornalistas receberam igual convite, bem assim artistas, editores musicais, diretores de outras firmas gravadoras e pessoas de projeção em nossa sociedade. Era muita gente para anotarmos os nomes. Mesmo assim, constatamos a presença de Hebe Camargo e Norma Ardanuy, artistas das Emissoras Associadas, que gravam para a Odeon; o cantor Wilson Roberto, os editores musicais Vitale e Mignone, além de representantes de todas as casas revendedoras da cidade.

Propaganda com Gregorio Barrios
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A etiqueta Elite se fez representar pelos seus editores, entre eles o Sr. Alberto Ergas, que é o responsável pela sua parte artística. Gregorio Barrios e Fernando Albuerne eram os convidados de honra, como não poderiam deixar de ser, pois seus discos são largamente vendidos...

Para nós, que apreciamos os discos pelas suas qualidades técnica e artística, simplesmente, a visita nos foi proveitosa, pois ficamos conhecendo como se fabrica um disco, desde o preparo da massa (onde reside, talvez, o maior segredo da indústria), até o seu polimento e respectivo empacotamento. Emocionou-nos a seção de galvanoplastia, que constitui o coração da fábrica.

Ali, a gravação é submetida a um banho químico, baseado num sistema estranho e curioso da ciência eletrônica. Se algo falhar nesse “banho” tudo estará perdido e terá que ser feito de novo, pois as matrizes se estragarão.

Diário da Noite, 14/7/50
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As instalações da aludida fábrica são, com efeito, grandiosas e impressionaram a todos os que a visitaram naquela tarde fria. Um justo motivo de orgulho para o parque industrial de São Paulo, sem, ao dizermos isso, desmerecer as demais fábricas que formam a indústria do disco em São Paulo.


Na foto: Dos cantores populares da Itália, Carlo Buti é, talvez, o mais aplaudido e admirado. Seu estilo é inconfundível e simpático. É dos que não gostam de se esgoelar. Canta naturalmente e nisto, com certeza, reside o segredo do seu sucesso. Depois de nos brindar com aquela sua bonita gravação, Serenata Celeste, o vocalista volta a estar presente no suplemento Columbia para julho próximo, cantando Mosteiro de Santa Clara e Violeta, uma canção e um tango-serenata. Um bom disco, especialmente para os inúmeros admiradores do cantor italiano, que se encontra, atualmente, no Rio de Janeiro.

Casa Ricordi