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sábado, 31 de maio de 2014

Diário da Noite, 27 de setembro de 1950

NOTAS E NOTÍCIAS

Dalva de Oliveira gravará, para a Odeon, uma marcha que leva as assinaturas de Fernando Lobo e Paulo Soledade, à qual deram o título de Zum-Zum. Adianta-se que se trata de uma composição muito interessante, de grande beleza poética.

* Marlene, por sua vez, levará à cera, pela etiqueta Continental, um samba de Manoel Santana, autor de É Pecado Sambar, intitulado Para o Inferno ou Pro Céu e a batucada batizada de Sapato Pobre.

* Blackout, o cantor colored que São Paulo deu ao Rio, já gravou para o próximo Carnaval, um samba de Fernando Lobo e Manézinho Araújo, cujo tema – ora, veja, só! – é a cachaça... Do outro lado do disco fixou a marcha de Klecius Caldas e Armando Cavalcanti, A Culpada Foi a Cabra, naturalmente focalizando a incrível Luz Del Fuego...

* Diana Lynn, artista cinematográfica e solista de piano de reais méritos, gravou seis números para a Capitol que, na edição original americana, fizeram parte do álbum Piano Portraits. A Capitol nacional, já lançou dois dos três discos constantes do aludido álbum. Encerram esses discos as seguintes melodias: Assassinato na Décima Avenida, Corpo e Alma, Lover e Rondo (Marcha Turca de Mozart).

Blackout
O terceiro e último disco do álbum a que nos referimos, que será lançado brevemente pela aludida gravadora, deve encerrar as melodias Laura e Concerto Theme. Em todas as gravações Diana Lynn é secundada pela magnífica orquestra de Paul Weston. Aliás, as duas primeiras gravações já foram objeto de considerações de nossa parte.

* Com o crescente sucesso do baião, que ameaça até o prestígio do bolero, alguns compositores cariocas estão alarmados, zelosos que se mostram pela sobrevivência do samba. Tanto é assim que acabam de fundar uma curiosa associação, o “Clube dos Amigos do Samba”, cuja finalidade é a proteção do samba contra as “coqueluches”. Segundo o programa do aludido clube, haverá reuniões quinzenais – semanais se for possível – para que assuntos relacionados com o samba sejam debatidos.

Carmélia Alves
* Carmélia Alves já deu o seu primeiro tiro para o Carnaval, com o seu disco em cujos lados gravou Volta, samba de Roberto Martins e Lamartine Babo, e Salve a Orquestra, de Frazão e Roberto Martins, para a etiqueta dos três sininhos.

* Carlos Galhardo gravau para a Victor uma bela canção para as festas de fim de ano, assinada por Peterpan e Ghiaroni, intitulada Feliz Natal. No verso do disco, a conhecida valsa de Ivanovici, em versão brasileira de Lourival Faissal, Aniversário de Casamento.

Na foto: Marlene, a ex-locutora paulista que foi para o Rio de Janeiro para vencer cantando e tornar-se “Rainha do Rádio”, ao que parece está decidida a dar a nota no Carnaval de 1951. Tanto é assim que já está preparada para gravar dois promissores números: Para o Inferno ou Pro Céu e Sapato Pobre, um samba e uma batucada respectivamente.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Diário da Noite, 17 de Julho de 1950

MAIS NOTAS E NOTÍCIAS

Eis aqui mais um punhadinho de notícias diretamente relacionadas com o mundo dos discos:

A Star – finalmente nos chega uma notícia da Star – gravou, na voz de Onéssimo Gomes, dois sambas: Não te Iludas, de Zeca do Pandeiro e Edgard Nunes, e Desdita Cruel, de Vitório Junior e Wilson Ferreira. – A Victor anuncia, com justificável satisfação, mais uma gravação de Luiz Gonzaga: O Chofer de Praça, da parceria Fernando Lobo/Evaldo Rui. Dizem que a sanfona de Luiz Gonzaga, nessa gravação, está um espetáculo e que a composição é um autêntico hino de louvor à classe dos motoristas. – Informa-se que o álbum de hinos e marchas esportivas, brotados da fecunda imaginação do magrela Lamartine Babo, elaborado com muito capricho pela Continental, para comemorar a disputa da Copa do Mundo, está obtendo inesperada aceitação do público. – Segundo notícias que nos vêm do Rio, os compositores populares já estão se preparando para o Carnaval. Muito embora estejamos distanciados dos festejos momísticos mais de meio ano, já o pessoal da música convoca os seus intérpretes favoritos e procura oportunidades nas quotas que cada artista tem nas suas respectivas fábricas. – A gravação de Dircinha Batista, para a etiqueta Odeon, do samba de Ary Barroso, Na Baixa do Sapateiro, numa notável orquestração do maestro Carioca, e que está sendo colocada nas revendedoras esta semana, promete ser um grande sucesso comercial, já que o artístico está comprovado.


– A Capitol, que inaugurou sua fábrica, instalada na Estrada das Furnas, na Tijuca, no Rio de Janeiro, sob a responsabilidade da firma Sinter S. A., adianta que o seu programa no Brasil, além das gravações levadas a efeito aqui, será selecionar as matrizes brasileiras para remete-las à Capitol norte-americana, dando assim grande oportunidade de incrementar, mais ainda, a divulgação da música popular brasileira nos Estados Unidos. – Com alusão à Capitol, sabe-se que suas gravações serão feitas nos estúdios da Rádio Ministério da Educação, cujas características acústicas obedecem aos mais modernos preceitos da arte.

Francisco Mignone
– Fala-se, ainda, que a Capitol seguirá o exemplo da sua co-irmã americana: terá uma linha completa de gravações, sendo que o setor de música erudita será preenchido pelas famosas gravações Telefunken, alemãs, austríacas e francesas, além das que a própria Capitol americana está gravando na Europa.

Na foto: Heriberto Muraro, figura obrigatória nos suplementos Odeon, comparece nos lançamentos programados para agosto próximo. A Sinfonia do Guarani, em arranjo para piano e grande orquestra, é o que nos é prometido. Francisco Mignone, festejado compositor, pianista e regente de primeira água, dirige a grande orquestra que secunda o solista na gravação em apreço.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Diário da Noite, 22 de Abril de 1950

VALSAS BRASILEIRAS

A Victor, durante largos anos, manteve uma orquestra típica brasileira. Esse conjunto, dos mais homogêneos que já se possuiu, levava à cera as nossas mais belas melodias populares, especialmente as que possuíam a assinatura de compositores como Zequinha de Abreu, Ernesto Nazareth, José Maria de Abreu e alguns outros. Mas a Victor achou que o sustento do conjunto era carga por demais pesada e acabou dissolvendo-o. Os discos que gravou esse conjunto, há alguns anos, ainda hoje são procurados com avidez e de forma tal que a gravadora está estudando a regravação desses sucessos.

Mas não é da saudosa orquestra Victor que desejamos falar, mas da orquestra Continental, recentemente formada pela gravadora dos três sininhos. Escolheu ela, para estrear, duas bonitas valsas brasileiras: Boa Noite, Amor e Alma dos Violinos, duas das mais inspiradas composições de José Maria de Abreu e de Lamartine Babo. Há momentos em que o conjunto lembra a orquestra Victor. Entretanto, sente-se que lhe falta alguma coisa. Algo que não pudemos descobrir, por mais análises a que submetemos o disco. Não lhe falta afinação. Nesse particular, até, ela está muito bem. Mas, parece-nos, falta-lhe a homogeneidade, o que lhe impossibilita a sonoridade desejada, que é frisante nos conjuntos maduros. Todavia, é um detalhe que o diretor artístico da gravadora deve ter observado e, para o futuro, o conjunto se apresentará, estamos certos, com esse senão superado, entretanto, o ouvinte menos exigente e amante da nossa boa música popular, há de gostar das duas gravações apresentadas por esse disco.

Hugo Romani
Os que gostam de dançar também apreciarão o disco, especialmente da face de Boa Noite, Amor, cuja melodia, como todos sabem, está impregnada de inspirado romantismo.

O disco, como se vê, é de interesse restrito. Esperamos que nas próximas gravações da orquestra Continental, aquela falha, que sentimos mas não pudemos definir bem, mas que o diretor artístico a encontrará com certeza, já não seja observada para que o conjunto se firme definitivamente no conceito do público.

Na foto: Hugo Romani é um autêntico cartaz do disco popular. Especializou-se na interpretação de melodias centro e sul-americanas. Esteve em São Paulo recentemente atuando numa das nossas boates, obtendo grande sucesso. Suas melhores gravações: Caminemos, Mi Carta, Amorosamente. Faz parte da constelação Odeon.