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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Diário da Noite, 12 de setembro de 1950

ALGUMAS NOVIDADES

Acabamos de receber a lista avançada dos lançamentos da Columbia, programados para outubro próximo. O suplemento em apreço nos parece mais reduzido que os anteriores, constando dele apenas quinze gravações, sendo que quatro são de importação e de música clássica.

Encabeçando a aludida lista vamos encontrar, de Strauss, a Valsa do Imperador, em duas partes, pela Orquestra Filarmônica de Viena, tendo como regente Herbert Von Karajan. Segue-se a gravação da Rapsódia Húngara nº2, de Liszt, também em duas partes, com a orquestra de Filadélfia, sob a direção de Eugene Ormandy. Bruno Walter, regendo a Orquestra Filarmônica de Berlim, também faz parte da lista de gravações importadas, com a gravação de Rosas do Sul, de Strauss. Por outro lado, a referida gravadora nos envia uma regravação do Concerto em Lá Menor, para piano e orquestra, de Grieg, com Dinú Lipatti ao piano, secundada pela Orquestra Filarmônica de Londres, sob a batuta de Alceo Galliera. Esta gravação é composta de quatro discos, acoplados para pick-up automático. Faz parte de um bonito álbum.

Do repertório popular, chamaram-nos particularmente a atenção as gravações de Harry James, em Blues de Limehouse e The Man I Love; de Duke Ellington, em Caravana e Deixei uma Canção Sair do Coração; de Elliot Lawrence e sua orquestra, em Dança Ritual do Fogo e Entre o Diabo e o Mar Azul; e a de Frank Sinatra, secundado por Axel Stordahl e sua orquestra, em Apenas um Coração Solitário e Por Que Nasci?.

Casa Nelson & Nelson
Também Doris Day, que ultimamente tem perdido as primeiras colocações nos concursos realizados nos Estados Unidos, está presente na lista em questão, em Você Me Embriaga e Aquele Velho Sentimento, sendo secundada pelo conjunto orquestral de Georges Siravo.

Dignos de observação são os discos das orquestras de Peter Yorke e de André Kostelanetz. A primeira nos promete Lagoa Adormecida e Intermezzo; e a segunda, Meiga e Adorável e Canção de Setembro.

Casas Santiago e Sertaneja
Carlo Buti, que dentro em pouco estará entre nós, participando de uma temporada ao microfone das Emissoras Associadas, também tem um dos seus discos incluídos no suplemento em foco. Inclui esse disco as melodias Vida Cor de Rosa e Maria da Bahia. A primeira, como se pode notar pelo título em português, é uma versão da melodia de Louiguy, La Vie En Rose.

Por seu turno, Xavier Cugat, nos vai apresentar Palabras de Mujer, um arranjo do bolero de Agustín Lara, e Ombo, uma sacolejante rumba do próprio Cugat. Três Musicistas e Festa Estrangeira são as canções que o parisiense Georges Ulmer, acompanhado pela orquestra de Daniel White, vai apresentar.

Casa Beethoven
Herbert Von Karajan
E, para finalizar, a Columbia programou o acordeonista europeu Wolmer, numa gravação em que nos oferece uma seleção dos mais famosos motivos musicais de todo o mundo. A título de curiosidade, aqui vão as páginas cujos retalhos Wolmer selecionou: Serenata, de Schubert; Olhos Negros, Os Patinadores, de Waldfteufel; Dança Húngara nº5, de Brahms; Marcha Turca, de Mozart; e a Marcha Militar, de Schubert.

Em próximas notas, focalizaremos as listas avançadas das demais gravadoras.

Na foto: Herbert Von Karajan é um dos mais competentes regentes da Europa. Austríaco de nascimento, tem dirigido os mais categorizados conjuntos europeus e dos Estados Unidos. A Orquestra Filarmônica de Viena, da qual ele é o regente efetivo, está presente no suplemento Columbia de outubro, com a gravação da Valsa do Imperador, de Strauss.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Diário da Noite, 28 de Junho de 1950

INDÚSTRIA DO DISCO

Houve época em que a indústria do disco, no Brasil, se limitava a uma pequena fábrica no Rio de Janeiro. Ali, em seus estúdios, eram gravados discos com os artistas nacionais, isto é, com os radicados na Capital da República. Mais tarde, com o desenvolvimento industrial do país, outras firmas gravadoras instalaram suas fábricas no Brasil, mas sempre no Rio. Ali, se instalaram a Victor, a Continental, a Odeon e, mais recentemente a Star. Anuncia-se que a Capitol, por sua vez, está instalando a sua fábrica, que dizem ser de grandes proporções, no Rio de Janeiro.

São Paulo, entretanto, apesar de constituir o maior parque industrial da América Latina, só há pouco tempo despertou a atenção das firmas gravadoras para a instalação de suas modernas fábricas. É bem verdade que a Continental, já faz algum tempo, tem montada aqui a sua fábrica. Todavia só recentemente é que a RCA Victor e a Odeon se dispuseram a prensar os seus produtos em terras paulistas.

Recebemos, a propósito, em dia da semana última, amável convite do Sr. Aníbal Conde, diretor da Odeon, para uma visita às instalações da indústria localizada em São Bernardo do Campo. Como nós, outros jornalistas receberam igual convite, bem assim artistas, editores musicais, diretores de outras firmas gravadoras e pessoas de projeção em nossa sociedade. Era muita gente para anotarmos os nomes. Mesmo assim, constatamos a presença de Hebe Camargo e Norma Ardanuy, artistas das Emissoras Associadas, que gravam para a Odeon; o cantor Wilson Roberto, os editores musicais Vitale e Mignone, além de representantes de todas as casas revendedoras da cidade.

Propaganda com Gregorio Barrios
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A etiqueta Elite se fez representar pelos seus editores, entre eles o Sr. Alberto Ergas, que é o responsável pela sua parte artística. Gregorio Barrios e Fernando Albuerne eram os convidados de honra, como não poderiam deixar de ser, pois seus discos são largamente vendidos...

Para nós, que apreciamos os discos pelas suas qualidades técnica e artística, simplesmente, a visita nos foi proveitosa, pois ficamos conhecendo como se fabrica um disco, desde o preparo da massa (onde reside, talvez, o maior segredo da indústria), até o seu polimento e respectivo empacotamento. Emocionou-nos a seção de galvanoplastia, que constitui o coração da fábrica.

Ali, a gravação é submetida a um banho químico, baseado num sistema estranho e curioso da ciência eletrônica. Se algo falhar nesse “banho” tudo estará perdido e terá que ser feito de novo, pois as matrizes se estragarão.

Diário da Noite, 14/7/50
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As instalações da aludida fábrica são, com efeito, grandiosas e impressionaram a todos os que a visitaram naquela tarde fria. Um justo motivo de orgulho para o parque industrial de São Paulo, sem, ao dizermos isso, desmerecer as demais fábricas que formam a indústria do disco em São Paulo.


Na foto: Dos cantores populares da Itália, Carlo Buti é, talvez, o mais aplaudido e admirado. Seu estilo é inconfundível e simpático. É dos que não gostam de se esgoelar. Canta naturalmente e nisto, com certeza, reside o segredo do seu sucesso. Depois de nos brindar com aquela sua bonita gravação, Serenata Celeste, o vocalista volta a estar presente no suplemento Columbia para julho próximo, cantando Mosteiro de Santa Clara e Violeta, uma canção e um tango-serenata. Um bom disco, especialmente para os inúmeros admiradores do cantor italiano, que se encontra, atualmente, no Rio de Janeiro.

Casa Ricordi

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Diário da Noite, 02 de Junho de 1950

O ROUXINOL DA ITÁLIA

Já tivemos ocasião de traçar, por estas mesmas colunas, o perfil artístico de um dos mais aplaudidos vocalistas da Itália: Oscar Carboni, cognominado “o rouxinol da Itália”. De fato, o cognome de Oscar Carboni é dos mais merecidos. Ele canta, realmente, como um rouxinol, especialmente quando canta um stornello. Carboni e Carlo Buti nesse sentido, são absolutos.

Strada Delle Mimose, a mais recente gravação de Oscar Carboni para a Cetra, é uma cabal demonstração de como se canta o stornello. É pena que a massa da Cetra seja um pouco dura e ocasiona algum chiado. Todavia, as qualidades vocais do artista e o acompanhamento orquestral, que é dos mais curiosos, absorve a atenção do ouvinte que, assim, esquece o pequeno senão do disco.

Oscar Carboni
A face oposta à Strada Delle Mimose, por sinal a face A, é uma valsa-canção muito bonita e terna, com uma letra impregnada de sentida poesia e romantismo. Carboni, ainda desta feita, empresta a Al Viale del Colli uma vocalização perfeita, dizendo com muita propriedade os versos da melodia.

Por conhecermos o valor artístico do “rouxinol da Itália”, foi com satisfação que recebemos a notícia de que as Emissoras Associadas o contrataram para uma temporada. Será, sem dúvida, um belo presente da Cidade do Rádio[1] ao público de São Paulo, em particular à laboriosa colônia italiana. Com alusão ao disco que vimos de apreciar ele é, como se poderá depreender, recomendável, especialmente aos admiradores das melodias italianas.

Diário da Noite, 3/6/50 - Clique para ver em alta resolução
Na foto: Oscar Carboni é um cartaz firmado internacionalmente. Seus discos são procurados com avidez pelos admiradores das melodias peninsulares. Sendo, através de suas gravações, um dos artistas mais apreciados do público paulista, a sua estréia, dentro de poucos dias, na Cidade do Rádio, constituirá, sem dúvida alguma, um dos mais ruidosos acontecimentos radiofônicos da cidade.



[1] Nome das “Emissoras Associadas” da Tupi, em São Paulo.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Diário da Noite, 19 de Maio de 1950

DUAS “DANÇAS”

Danse Rituelle Du Feu, de Manuel De Falla, faz parte, como se sabe, do ballet O Amor Feiticeiro. É uma partitura de aceitação universal, muito aplaudida pelos conhecedores e pelos leigos, simples apreciadores de boa música.

Essa famosa partitura do festejado compositor espanhol tem tido várias edições fonográficas, tanto no original como em arranjos para piano. São conhecidas as execuções de Arthur Rubinstein, Alexander Brailowsky e José Iturbi, sendo que a deste último em interpretação bastante inferior à dos dois primeiros.

O disco que temos em mão, da Columbia francesa, nos proporciona mais uma gravação da Dança Ritual do Fogo, executada pelo pianista espanhol Roger Machado, muito conhecido e admirado na Europa, especialmente em Paris, onde se aperfeiçoou. De fato, pela interpretação dada a essa partitura de Manuel De Falla, pode-se avaliar a técnica superior desse pianista.

Manuel De Falla
Da gravação propriamente dita nada mais há que dizer, pois obedece ao padrão superior da Columbia francesa, não havendo estalidos, chiado excessivo ou as clássicas bolhas, reveladoras da má qualidade da massa.

Cumpre ressaltar aos amantes do disco que a Orquestra Pops, de Boston, sob a regência de Arthur Fiedler, também levou à cera, em disco Victor, a Dança Ritual do Fogo, que faz parte da última face dos três discos em que se acha gravado, pela mesma orquestra, o famosíssimo Bolero, de Ravel. A Pops empresta à música de De Falla uma das melhores execuções.

Na outra face do disco que vimos comentando, o pianista Roger Machado nos apresenta Villanesca (Dança Espanhola nº4), também de Manuel De Falla, magnificamente executada, tirando do piano uma bela sonoridade.

Oscar Carboni
Aqueles que admiram as belas execuções pianísticas não devem perder esse disco.

Na foto: Eis um respeitável rival de Carlo Buti no estilo stornello. O estilo stornello, como se sabe, são aqueles gorjeios que os cantores napolitanos imprimem à voz, exigindo grande habilidade e muita experiência. Em Nápoles, especialmente na zona portuária, os pescadores, cantores naturais, fazem torneios de stornello. Aquele que demorar mais dando gorjeios à voz, mas gorjeios bonitos e seguros, ganham a parada. Pois a Strada Delle Mimose é um stornello que Oscar Carboni, um dos mais aplaudidos vocalistas italianos, nos proporciona nesse seu novo disco para a Cetra. Na face oposta há uma valsa-canção: Al Viale Dei Collo.