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sexta-feira, 30 de maio de 2014

Diário da Noite, 22 de setembro de 1950

HISTORIETA INFANTIL

Coube à Continental iniciar uma série de gravações de histórias infantis, especialmente teatralizadas, de autoria dos mais renomados autores especialistas no gênero. Levou ao disco, assim, Branca de Neve e os Sete Anões, A História da Formiguinha e outros, estando em preparo A Gata Borralheira. A iniciativa constitui um sucesso. Tanto é assim que a própria empresa não tem em estoque, por esgotadas, qualquer das referidas gravações. É possível que algumas delas possam ser encontradas nas boas casas revendedoras. Valeu a pena, portanto, a experiência.

Agora, a Victor está se preparando para lançar, por sua vez, dentro de poucas semanas, uma historieta infantil em disco. Escolheu uma novela clássica da literatura infantil para gravar: A Galinha dos Ovos de Ouro.

Por gentileza da direção artística da etiqueta do cachorrinho foi-nos dado ouvir a prova da gravação e pudemos constatar da perfeição não apenas da parte interpretativa, que esteve a cargo do prestigioso elenco radiatral da Rádio Nacional, mas sobretudo da parte técnica, sonoplática etc. Em gravação quase toda falada é fácil notar-se o chiado provocado pelo pick-up sobre a massa, sobretudo se de má qualidade. Entretanto, não é o que acontece neste disco. Para a sua elaboração, certamente, foi preparada massa especial, de melhor qualidade, tendo sido eliminado, assim, quase que por completo, o chiado que, para uma gravação rádio-teatralizada, seria uma coisa horrorosa.

Isis de Oliveira
A Galinha dos Ovos de Ouro ocupou dois discos, ou quatro faces, de doze polegadas. Seguramente meia-hora de gostoso entretenimento, não só para os petizes mas também para os marmanjos, é o que nos oferece a gravação em referência.

O elenco da Rádio Nacional se portou de forma seguríssima e perfeita na parte interpretativa. O “Gigante”, interpretado por Orlando de Melo, está simplesmente notável em sua caracterização vocal, o mesmo acontecendo com “Luizinho”, o garotinho que roubou a “Flauta Mágica”, interpretado por Rodney Gomes. Seria cometer injustiça destacar nomes. Todo o elenco, composto, além dos elementos já citados, mais Isis de Oliveira e Samir de Montemor, na narração; Simon Morais, como a “Fada”; Suzy Kirby, como “Mulher do Gigante”; Sonia Alcoverde, na voz esganiçada da “Flauta” e, finalmente, Graziela Ramalho, fazendo a “Mãe de Luizinho”, se comportaram de forma superior, oferecendo-nos uma versão radiofônica de A Galinha dos Ovos de Ouro, muito interessante. Naturalmente, a perfeição dos intérpretes se deve à direção segura e competente de Floriano Faissal.

Os efeitos musicais estiveram a cargo de Alberto Lazzoli e foram executados por Zaccarias e sua orquestra. Aquele bonito solo de flauta deve ter sido executado mesmo pela “Flauta Mágica” da historieta.

Floriano Faissal
Não temos dúvida em augurar para a referida gravação um sucesso absoluto. Quem sabe até, já que esta historieta ocupou dois discos de doze polegadas, dará margem a que o rádio-teatro – não apenas de historietas infantis, nas o “sério” – se encaminha para o disco, tal qual está acontecendo na Inglaterra, na França e nos Estados Unidos, como já tivemos ocasião de acentuar.

Na foto: Um dos bons lançamentos da Columbia para o próximo mês será o disco de Frank Sinatra, no qual ele gravou, com Axel Stordahl e sua orquestra, de Tchaikowski, em arranjo especial, Apenas um Coração Solitário; e de Jerome Kern e Hammerstein II, Por Que Nasci?. O lançamento em questão vai ser feito pela Columbia nacional. Conhecemos a face de Apenas um Coração Solitário pela gravação importada e podemos assegurar tratar-se de uma das melhores interpretações do antigo ídolo das garotas norte-americanas.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Diário da Noite, 12 de setembro de 1950

ALGUMAS NOVIDADES

Acabamos de receber a lista avançada dos lançamentos da Columbia, programados para outubro próximo. O suplemento em apreço nos parece mais reduzido que os anteriores, constando dele apenas quinze gravações, sendo que quatro são de importação e de música clássica.

Encabeçando a aludida lista vamos encontrar, de Strauss, a Valsa do Imperador, em duas partes, pela Orquestra Filarmônica de Viena, tendo como regente Herbert Von Karajan. Segue-se a gravação da Rapsódia Húngara nº2, de Liszt, também em duas partes, com a orquestra de Filadélfia, sob a direção de Eugene Ormandy. Bruno Walter, regendo a Orquestra Filarmônica de Berlim, também faz parte da lista de gravações importadas, com a gravação de Rosas do Sul, de Strauss. Por outro lado, a referida gravadora nos envia uma regravação do Concerto em Lá Menor, para piano e orquestra, de Grieg, com Dinú Lipatti ao piano, secundada pela Orquestra Filarmônica de Londres, sob a batuta de Alceo Galliera. Esta gravação é composta de quatro discos, acoplados para pick-up automático. Faz parte de um bonito álbum.

Do repertório popular, chamaram-nos particularmente a atenção as gravações de Harry James, em Blues de Limehouse e The Man I Love; de Duke Ellington, em Caravana e Deixei uma Canção Sair do Coração; de Elliot Lawrence e sua orquestra, em Dança Ritual do Fogo e Entre o Diabo e o Mar Azul; e a de Frank Sinatra, secundado por Axel Stordahl e sua orquestra, em Apenas um Coração Solitário e Por Que Nasci?.

Casa Nelson & Nelson
Também Doris Day, que ultimamente tem perdido as primeiras colocações nos concursos realizados nos Estados Unidos, está presente na lista em questão, em Você Me Embriaga e Aquele Velho Sentimento, sendo secundada pelo conjunto orquestral de Georges Siravo.

Dignos de observação são os discos das orquestras de Peter Yorke e de André Kostelanetz. A primeira nos promete Lagoa Adormecida e Intermezzo; e a segunda, Meiga e Adorável e Canção de Setembro.

Casas Santiago e Sertaneja
Carlo Buti, que dentro em pouco estará entre nós, participando de uma temporada ao microfone das Emissoras Associadas, também tem um dos seus discos incluídos no suplemento em foco. Inclui esse disco as melodias Vida Cor de Rosa e Maria da Bahia. A primeira, como se pode notar pelo título em português, é uma versão da melodia de Louiguy, La Vie En Rose.

Por seu turno, Xavier Cugat, nos vai apresentar Palabras de Mujer, um arranjo do bolero de Agustín Lara, e Ombo, uma sacolejante rumba do próprio Cugat. Três Musicistas e Festa Estrangeira são as canções que o parisiense Georges Ulmer, acompanhado pela orquestra de Daniel White, vai apresentar.

Casa Beethoven
Herbert Von Karajan
E, para finalizar, a Columbia programou o acordeonista europeu Wolmer, numa gravação em que nos oferece uma seleção dos mais famosos motivos musicais de todo o mundo. A título de curiosidade, aqui vão as páginas cujos retalhos Wolmer selecionou: Serenata, de Schubert; Olhos Negros, Os Patinadores, de Waldfteufel; Dança Húngara nº5, de Brahms; Marcha Turca, de Mozart; e a Marcha Militar, de Schubert.

Em próximas notas, focalizaremos as listas avançadas das demais gravadoras.

Na foto: Herbert Von Karajan é um dos mais competentes regentes da Europa. Austríaco de nascimento, tem dirigido os mais categorizados conjuntos europeus e dos Estados Unidos. A Orquestra Filarmônica de Viena, da qual ele é o regente efetivo, está presente no suplemento Columbia de outubro, com a gravação da Valsa do Imperador, de Strauss.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Diário da Noite, 20 de Julho de 1950

O NOVO TRIO DE OURO

Como é público e notório, o Trio de Ouro – o antigo Trio de Ouro – composto por Herivelto Martins, Dalva de Oliveira, sua esposa, e Nilo Chagas, o negro do trio, e que tantas gravações de bom padrão nos proporcionou, foi desfeito quando de uma excursão que realizou ao exterior. Os motivos que ocasionaram o abandono do trio e do esposo por parte de Dalva de Oliveira não foram divulgados, pois eram, ao que se assoalhou, de caráter íntimo. Tão logo, porém, Dalva se desligou do conjunto e do marido, a Odeon a contratou, a fim de formar ao lado dos demais astros da famosa etiqueta. Do outro lado, Herivelto Martins andou quebrando cabeça para encontrar uma substituta para o claro aberto pela esposa. Tal qual Diógenes, andou de norte a sul do país, com a lanterna do seu faro artístico, à procura da voz feminina ideal para o Trio. Queria uma voz de tonalidade mais ou menos semelhante da de Dalva, que se casasse tão bem com a dele, quanto com a de Nilo Chagas. Em Vitória, do Espírito Santo, conseguiu localizar a voz que pretendia: Noemi Cavalcanti. Foi difícil convencê-la. Mas Herivelto acabou levando-a para o Rio e seis meses passou ensaiando o novo Trio, até vê-lo afinadinho. Depois disso, foi fácil conseguir contrato numa das maiores emissoras do país, o que motivou a renovação do contrato do novo conjunto com a etiqueta Victor, a qual já lançou na praça o primeiro disco do novo Trio de Ouro: Caminho Certo, de autoria do próprio Herivelto Martins, e A Bahia te Espera, de Herivelto e Chianca Garcia.

Nilo, Noemi e Herivelto
Com alusão às composições, temos a impressão de que se tratam de dois berrantes plágios: Caminho Certo se assemelha muito com o samba de Ary Barroso Foi Ela; e A Bahia te Espera é muito parecido com Exaltação à Bahia, que, por sinal, também tem letra de Chianca Garcia. As palavras de Caminho Certo, dizem que foram dirigidas à Dalva de Oliveira e contam a história da separação do casal. A ser verdade, é condenável que Herivelto Martins tenha procedido de tal maneira, pois a letra é qualquer coisa de assombrosa, falando em coisas “abaixo da decência”, etc. Ridícula aquela parte declamada de A Bahia te Espera. Herivelto não dá para a coisa. Estranhamos também a pronúncia carioca em excesso, feita propositadamente pelo conjunto. Poderia bem ser mais discreta.

O novo Trio de Ouro, propriamente dito, está bom. Afinado e homogêneo. Noemi Cavalcanti é dona de uma voz bastante bonitinha. Nas notas altas lembra, com efeito, Dalva de Oliveira. A voz de Nilo Chagas e a de Herivelto, em dueto, apenas em dueto, excelentes, sobressaindo-se quando entrosadas com a voz de Noemi. As alterações de vozes, nas gravações que vimos de comentar, foram feitas com inteligência.

Longa existência, é o que desejamos ao novo Trio de Ouro.

Frank Sinatra
Na foto: Publicações norte-americanas, especializadas em crítica de discos, examinando recentes gravações de Frank Sinatra, não escondem a sua tristeza pela completa decadência vocal do mundialmente aplaudido crooner. Recusaram-se mesmo a comentá-las, pois consideram-nas abaixo da crítica. A Columbia, em edição nacional, todavia, vem de colocar na praça, um disco em que encerra duas magníficas gravações suas: Body and Soul, feita em 1948, e All of Me, executada em 1947, quando era considerado o maior cantor popular americano.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Diário da Noite, 13 de Junho de 1950

NOTAS E NOVIDADES

Mais um parêntesis para um punhadinho de notícias e novidades intimamente ligadas ao mundo dos discos. Ei-las:

A Elite, a nova gravadora nacional, vai lançar ainda esta quinzena o seu primeiro suplemento de gravações essencialmente nacionais. Nomes como os de Neyde Fraga, Roberto Amaral, Maria da Luz, Dupla Ouro e Prata e outros figuram com destaque na constelação Elite. – A Continental vem de fechar contrato com a Mercury, dos Estados Unidos, para lançar no Brasil as suas gravações. Frankie Lane – que se casou recentemente e se encontra em viagem de núpcias ao Brasil – um dos grandes cartazes da famosa etiqueta, apresentará os discos Mercury prensados pela Continental. Frankie Lane, ao que soubemos, virá até São Paulo. – Frank Sinatra, um dos maiores, senão o maior cartaz popular da Columbia, pretende mesmo realizar uma turnê em São Paulo e na Capital da República. – Provavelmente ainda este mês a Odeon colocará à venda a primeira gravação de Risadinha para a sua prestigiosa etiqueta: Nêga Já Sabe e Baburiba no Samba, ambas as composições de Oswaldo França e Atanázio Lima. – Por falar em Risadinha, vai ele gravar, ainda para a Odeon o samba Olha o Jeito da Nêga. – Várias gravações estão sendo prometidas com Elvira Pagã e o Quarteto de Bronze: Vamos Pescar, baião de Valentim e da própria Elvira, e Sururú de Capote, samba-maxixe de Ramiro Guará, fazem parte do primeiro disco que será dado a público. – O filme Ciúme, Sinal de Amor, com Fred Astaire e Ginger Rogers, não apresentou, como se esperava, bonitas melodias. Salvaram-se os solos de piano de Oscar Levant. A etiqueta MGM vem de lançar as músicas do aludido filme, inclusive o Concerto nº1, de Tchaikowsky, com Oscar Levant e a Dança do Sabre, também com ele e pela orquestra MGM.

Mesbla - Clique para ver em alta resolução
– Por falar em Dança do Sabre, essa página de Khachaturian poderá ser encontrada em gravações da orquestra de Woody Herman, para a Columbia, com o conjunto de Tex Beneke, para a SDR; com as Andrew Sisters, para a Decca; fora, evidentemente, as edições clássicas, em separata da suíte original. – A Continental, a simpática etiqueta dos três sininhos, está preparando dois álbuns especiais comemorativos do Campeonato Mundial de Foot-ball. Os discos constantes desses álbuns conterão hinos e marchas de todos os clubes da primeira divisão, do Rio e de São Paulo. Acompanha os vocalistas a Orquestra Tabajara sob a regência de Severino Araújo, aliás de forma notável, conforme pudemos constatar pelas provas que ouvimos. Jorge Goulart, Déo e o Trio Melodia, são os vocalistas das páginas musicais desportivas.

Déo
– Os Crimes de Dioguinho e A Morte de Dioguinho são as últimas modas de viola que Serrinha e Caboclinho gravaram para a Continental. – Dalva de Oliveira, uma das maiores figuras da etiqueta Odeon, estará novamente presente no próximo suplemento da gravadora da rua da Liberdade.

E é só, por hoje.

Na foto: Risadinha, um dos valores do broadcasting bandeirante, custou a chamar a atenção das nossas gravadoras, apesar do prestígio que desfruta como vocalista e compositor popular. Finalmente, a Odeon “descobriu-o” e as suas primeiras gravações, após aquele Faran-Fan-Fan, vão ser lançadas dentro de poucos dias.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Diário da Noite, 02 de Maio de 1950

NOTAS E NOTÍCIAS

Vamos abrir um parêntesis em nossas apreciações sobre as gravações recém-lançadas e ainda por lançar, apreciadas através das provas, para trazer ao conhecimento do leitor um punhado de notícias presas ao mundo dos discos. Aqui vão elas:

Violeta Cavalcanti gravou, à semana passada, em disco Odeon, um curioso chorinho de Lauro Maia, que recebeu o título de Faísca. – Frank Sinatra anunciou que fará uma turnê pelo Brasil em outubro próximo, cantando em boates, rádios e teatros, receberá por uma temporada na capital da República cerca de 650 mil cruzeiros. Quantias iguais receberá em São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre. – À vista das reduzidíssimas e precárias gravações das mais representativas páginas de Carlos Gomes, a Odeon já providenciou para que essas partituras sejam levadas à cera, sob a responsabilidade da sua etiqueta, pelas melhores orquestras e artistas nacionais. – Por sua vez, a Victor reeditará a ouverture de O Guarani, pela Boston Pops sob a regência de Arthur Fiedler. – as iniciativas visam dar maior destaque às comemorações da Semana Carlos Gomes, quando da passagem do primeiro centenário do nascimento do grande mestre campineiro. – A filha do presidente dos Estados Unidos, miss Margaret Truman, como se sabe, é soprano. Nem todos os críticos norte-americanos apreciam a voz de miss Truman. O próprio diretor do Metropolitano, de Nova York, não permitiu que ela cantasse no famoso palco dessa casa de espetáculos, argumentando, polidamente, “que a sua voz, muito bonita, era de concertista, e não de soprano lírico”... Apesar de todas essas restrições, anuncia-se que a Victor a contratou e lançará, muito breve, gravações na voz da discutida cantora.

Larry Parks (à esq.), o ator que interpretou
Al Jolson, e o próprio
– Al Jolson, o saudoso Al Jolson do cinema, estará presente no suplemento Odeon de junho, em gravações das músicas do seu próximo filme, O Trovador Inolvidável, que conta a sua vida. – Charles King, o decano dos compositores de música havaiana, morreu em Nova York. Dentre as muitas canções de sua autoria, Song of the Islands perpetuará a sua memória. – A famosa Orquestra de Zaccarias gravou, há poucos dias, nos estúdios Victor, a Sinfonia em Verde e Amarelo, de autoria de Pernambuco, um dos mais completos pistonistas patrícios, que aliás se encontra em São Paulo atuando em uma das nossas boates. – Frank Baur, um dos mais antigos artistas do disco, tendo gravado para a Victor em 1927-28, faleceu também, em Nova York. Baur era um dos mais completos artistas de revistas musicais, tendo sido destacado elemento das famosas Ziegfeld Follies. – A Odeon nos promete dois novos “astros” em junho próximo: Marianne Michel, uma nova tentação dos cabarés parisienses, e Luciano Tajoli, um dos mais famosos cantores da Itália, em suas primeiras gravações. A mesma gravadora nos promete a apresentação, pela primeira vez no Brasil, de uma gravação de uma zarzuela espanhola, em três discos de 25 cms.

Ana Maria Gonzalez
– A Continental, a Victor, a Columbia e a Capitol, por sua vez, apresentam extensos suplementos de novidades, cujas provas espetamos ouvir ainda esta semana.

E por hoje é só.

Na foto: Ana Maria Gonzalez é uma das melhores intérpretes das melodias astecas. Seus discos são muito apreciados e constantemente atingem vendas “records”. Quem assistiu ao filme Pecadora (e quem não o assistiu?!) viram como Ana Maria soube cantar Maria Bonita. Entretanto a aplaudida vocalista mexicana há muito se ausentou dos suplementos. Que estará havendo com suas gravações?

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Diário da Noite, 05 de Abril de 1950

DISCO VALIOSO

Dos conjuntos de cordas que o disco tem divulgado entre nós, como os de Morton Gould, George Melachrino, David Rose, Victor Young, André Kostelanetz e outros, o de Frank De Vol destaca-se pela originalidade com que são empregados os instrumentos da orquestra, especialmente os de sopro, que raramente são lançados, e quando isso acontece harmonizam-se de forma original com as cordas, que predominam no famoso conjunto. Cumpre notar, sobretudo, a maneira incomum como De Vol faz uso dos vinte e tantos violinos da sua orquestra, deles conseguindo efeitos ímpares, quase celestiais. É o que acontece, por exemplo, nas gravações constantes do disco nº10-40004, da Capitol, e do qual nos vamos ocupar.

Duas curiosas peças encerram esse disco: Moon Love e On the Isle of May, ambas calcadas em temas sugeridos, respectivamente, pela Quinta Sinfonia e pelo Andante Cantabile do Quarteto em Ré Maior de Tchaikowsky.

É de observar-se a leveza com que De Vol impregnou as melodias, conservando a essência do tema original. Embora não seja de seu hábito usar e abusar dos instrumentos de sopro, como dissemos, nas passagens de maior sensibilidade ele lança mão dos oboés e fagotes harmonizando os seus sons de forma notável com os violinos. Tudo com muito gosto e sensibilidade, que não faltam ao famoso regente. A introdução de Moon Love, por exemplo, onde é utilizado o piano, em sol, combinado com um coro vocal, é de uma beleza e delicadeza quase absoluta em música. Digno de nota é, também, o final da gravação, em que De Vol emprega as flautas que, aos poucos, vão-se diluindo até perderem-se no éter...

Os apreciadores da música orquestral não devem deixar de ouvir esse disco. Vale a pena. Trata-se de uma cera valiosa, digna de figurar com destaque em qualquer estante de discos.

Kathryn Grayson
NOTÍCIAS

Frank Sinatra, com Begin the Beguine, está presente no suplemento Columbia para maio próximo. – A Continental, por sua vez, assinala a volta do seu maior sambista, Jorge Veiga, com Medalha Dourada. – Sarah Vaughan e Billy Eckstine gravaram, juntos, para a MGM, um disco que vai ser a coqueluche dos jovens “coca-cola”. – Uma grande notícia: os discos de fabricação inglesa, dos selos Parlophone, MGM, Decca, Columbia e Brunswick vão baixar de preço! Isto se deve à desvalorização da libra. – Ciúmes (Jealousy) foi gravado, aliás de forma soberba, por Kathryn Grayson, para a MGM. – As novas maluquices de Spike Jones, gravadas pela Victor se intitulam Mourpheus e Wild Bill Hiccup. – Sharkey Bonano e seus “dixielanders” estão gravando para a Capitol, em Hollywood. – Por hoje é só.